Confira como os banquetes de Pedro II ajudaram a dar forma à culinária brasileira. O imperador não era um gourmet, mas ajudou a construir a cozinha tradicional do Brasil.
Na sexta-feira, 14 de agosto, às 19h, o Theatro São João recebeu a exposição “Os Banquetes do Imperador”, que reúne menus colecionados por Dom Pedro II. A visitação pode ser feita até o dia 14 de setembro. A entrada é gratuita.
A mostra é baseada na pesquisa que resultou no livro “Os Banquetes do Imperador”, do fotógrafo, jornalista, editor e chefe de cozinha André Boccato, em coautoria com Francisco Lellis. A coleção do imperador está organizada em “menus de navios”, “menus no exterior” (em geral de recepções oficiais, de restaurantes, de hotéis e de cafés), e “menus no Brasil”.
Dentre os diversos cardápios, estão banquetes de inaugurações, jantares de gala, visitas de autoridades estrangeiras, entre outros. Na mostra, é possível perceber como era a gastronomia real no país, com menus que mesclavam a cozinha europeia com produtos tipicamente brasileiros.
CONTA A HISTÓRIA…
D. Pedro II era um colecionador; guardava de livros a objetos de estudo e todo tipo de material impresso de valor cultural e artístico. Assim, quando da morte de sua esposa Thereza Christina, e já no exílio, doou a instituições, como Biblioteca Nacional e Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro – IHGB, mais de 100.000 peças, dentre essas, cerca de 1.200 menus impressos de eventos gastronômicos, dos quais ele ou membros de sua família participaram.
André Boccato e Francisco Lelis (IN Instituto) produziram uma seleção pesquisada e comentada para a produção do livro “Os Banquetes do Imperador”. E uma seleção ainda mais criteriosa apresenta as imagens mais relevantes, seja pela beleza gráfica e iconográfica, seja pela importância história do menu.
D. Pedro não era um governante de ostentação, ao contrário, era mais parecido com um professor do que um gourmand; apreciava o belo, a pesquisa, a ciência e, sobretudo, incentivava a cultura nacional.
Essa coleção atesta, historicamente, o nascer gastronômico brasileiro ainda na inspiração mundial do século XIX, eminentemente francesa, cuja documentação só existe pela visão de preservação da cultura, um exemplo que deixou o último monarca, como a mostrar que a realeza é mais um estado de espírito do que ostentação de poder.
A CANJA DO IMPERADOR
Os viajantes estrangeiros, tratados com deferência, espantavam-se quando, à mesa, era oferecido frango cozido em caldo quente (que era tido como ótimo para espantar doenças). Isso fez com que muitos relatos de viagem ao Brasil mencionassem expressamente (e com certa monotonia) o “fenômeno galinha com arroz”. Os aventureiros podiam até ficar entediados com a repetição da canja, mas dom Pedro II a tinha como prato predileto. “A canja hoje é barata, trivial, mas no século 19 era diferente. Não era comida de povão, era sofisticada”, diz André Boccato. Após analisar a coleção de cardápios da família real, nota-se a preferência pela repetição do prato em banquetes servidos ao monarca.
RECEITAS DA ÉPOCA
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PREPARO NACIONAL | Rio de Janeiro, 15 de outubro de 1889 |
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A princesa Isabel comemorou as bodas de prata do casamento com o Conde d’Eu com um banquete para 800 convidados no Cassino Fluminense. Na ocasião, foram servidos bolo de mandioca, peru e canja à moda brasileira, mostrando a assimilação de ingredientes e preparos nacionais. |
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PUDIM DE TAPIOCA |
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“Ferve-se uma garrafa de leite com um páo de canella, que se tira logo que tenha o aroma, ajunta-se meia libra de tapioca que se deixa amolecer no leite, junta-se depois dois ovos, um pouco de manteiga; deita-se n’uma fôrma barrada de manteiga e cozinha-se em banho-maria por espaço de meia hora.” Do livro A Doceira Doméstica |
SERVIÇO
O que: Exposição “Os Banquetes do Imperador”
Onde: Theatro São João
Quando: até 14 de setembro
Quanto: entrada gratuita

