No dia 2 de abril comemora-se o Dia Mundial da Conscientização do Autismo. Classificada como um transtorno global do desenvolvimento que mais cresce em número nos últimos anos, o autismo acomete uma a cada 88 crianças, o que leva alguns autores a considerar a doença como uma verdadeira epidemia. Estudos recentes demonstram um aumento de casos de dez vezes nos últimos 40 anos.
Todos esses dados demonstram a importância de se conhecer melhor a doença, saber como trata-la e como conviver com quem é diagnosticado como autista. Por definição, o autismo não é uma doença única, mas sim um distúrbio de desenvolvimento complexo, definido de um ponto de vista comportamental, com etiologias múltiplas e graus variados de comprometimento.
As crianças com autismo apresentam comprometimento em três áreas: comunicação (atraso na fala ou fala inadequada para a idade); relação social (não brinca com crianças da mesma idade); e comportamentos estereotipados (como movimentos anormais, rigidez em manter as rotinas e alterações de sensibilidade a sons e ao toque, por exemplo). As manifestações do transtorno variam imensamente, dependendo do nível de desenvolvimento e idade cronológica do indivíduo, e têm início antes dos três anos de idade. As crianças podem apresentar comprometimento leve ou grave, e isso requer uma avaliação profissional detalhada.
O diagnóstico do autismo é clínico, ou seja, não existe nenhum exame capaz de dar o diagnóstico, apenas a avaliação de um médico com experiência na área e diferentes testes podem confirmar a suspeita.
Para os pais que descobrem que o seu filho é autista, há uma luz no fim do túnel. Isso porque os programas de intervenção precoce podem fazer uma diferença importante e produzir ganhos significativos e duradouros. Assim, serviços educacionais e comunitários melhores e mais disponíveis podem mudar o prognóstico de autistas a longo prazo.
COMO AJUDAR
Para que a criança considerada autista consiga desenvolver suas habilidades, é preciso estimulá-la em vários aspectos. Mas, um dos mais relevantes é fazer com que haja interação social, não somente familiar, mas com colegas de escola, por exemplo. Isso ocorre pelo fato de o autista “copiar” o comportamento dos demais.
Tendo o objetivo de suprir esta necessidade, foi criado um projeto que será implantado na Escola Municipal “Serafim do Amaral”, na Lapa, na turma da 1ª série, que tem 19 alunos matriculados, entre eles um autista. O projeto iniciará na quinta-feira, 2 de abril, com atividades recreativas, de duração de uma hora, uma vez por semana, realizadas por voluntários.
A sugestão de levar atividades recreativas à escola, incentivando a interação dos alunos com o colega autista, partiu da psicóloga Ana Carla G. Benetti e da médica neuropediatra Mariane Wehmuth, profissionais que atendem o Gabriel, filho de Eva Ediane Joslin.
A mãe, Eva Ediane, é a autora do projeto que será implantado e também uma das fundadoras da Associação Anjo Azul, que atualmente é presidida por Rodrigo Frank. Ela relata que o projeto é uma iniciativa particular e não da Associação e que, por isso, por enquanto, será realizado somente na Escola Serafim do Amaral. Como há dificuldade de implantar as atividades em todas as escolas que tenham autistas, a Anjo Azul pretende colocar em prática projeto semelhante, mas ainda não há data de início das atividades em outros locais.
ATIVIDADES
As atividades realizadas na escola irão utilizar música e seus elementos, jogos em grupo, atividades físicas, teatro e brincadeiras de “faz de conta”, entre outras.
Os voluntários irão até a escola nas sextas-feiras, durante todo o primeiro semestre de 2015. Com isso, não somente o aluno autista será beneficiado, mas também todos os seus colegas de classe. Outro aspecto é que o projeto apresentado na Escola Serafim do Amaral também pode ser desenvolvido por outros pais de autistas, em outras escolas, e também por pais dos demais alunos. Dessa forma, irão contribuir com a educação de seus filhos e dos colegas.
No cronograma das atividades do projeto desenvolvido por Eva Ediane, estão previstas as participações dos seguintes profissionais: Erika (Grupo Ser do Bem); Caio Murilo Camargo (Escola de Música Clave de Sol); Daniele Padilha (cozinheira); Itamar Camargo (estudante de Educação Física e integrante da equipe Galeto Brothers); Bruno Oliveira Santos (estudante de pedagogia); Ana Karolyna Severo Borlin (estudante de Educação Física); Thiago Linhares (Profit Studio); João Rodrigues de Jesus (música e arte); Amália Silva (artesã); Casa da Música; e 15º GAC AP.
A partir da próxima edição, você saberá um pouco mais sobre o projeto e sobre a atuação de cada um dos voluntários.

