Dias atrás me deparei com um texto que contava uma pequena história. Tratava de um fazendeiro do Texas que fez consultoria agrícola para outro na Alemanha. Ele perguntou ao fazendeiro alemão sobre o tamanho de sua propriedade e obteve a seguinte resposta: “Mais ou menos 260 hectares”. Quando o alemão lhe fez a mesma pergunta sobre o tamanho de sua propriedade, o fazendeiro explicou que se dirigisse sua caminhonete desde o amanhecer até o pôr-do-sol ainda estaria dentro de sua propriedade. Para não ficar em desvantagem, o fazendeiro respondeu: “Também já tive uma caminhonete velha assim!”.
Piadas à parte, o texto faz refletir como é importante termos a perspectiva correta. Isso em todos os aspectos de nossa vida.
Dias depois, recebemos na redação um texto do lapeano, empresário e ex-Ministro da Saúde, Luiz Carlos Borges da Silveira, tratando do carreirismo político e da corrupção.
O autor assim escreveu:
“Corrupção é atualmente a palavra mais em voga no país e todos imaginam vê-la em todo lugar. Todavia, ela medra, prospera e opera também em situações pouco visíveis e o povo em geral (eleitor em particular) tem parcela de cumplicidade.
No Brasil a política se tornou profissão, não são poucos os que fazem carreira da juventude à velhice e ainda se gabam de apresentar no (pobre) currículo cidadão quatro, seis ou mais mandatos. E como sabemos neste país a política é pouco séria no conceito geral…
O carreirismo político e a corrupção originam-se no instituto da reeleição. Tomemos como exemplo um candidato a deputado federal. Está comprovado que essa eleição exige investimento em média de R$ 5 milhões e o salário bruto de um deputado gira em torno de R$ 30 mil ao mês, o que vale dizer que em seus quatro anos de mandato receberá mais ou menos R$ 1,5 milhão, restando um déficit, grosso modo, de mais ou menos R$ 3,5 milhões. De onde há de vir a cobertura dessa diferença? E na próxima eleição o candidato está de novo na disputa, disposto a gastar outros R$ 5 milhões para se reeleger e depois tratar de cobrir outro déficit. Como? Sabemos…
Tal situação cria o político carreirista que passa e ser dependente da política, o profissional que nada mais sabe fazer na vida, pois se voltar às suas origens, seja professor, médico, advogado, etc. estará por fora de tudo, inclusive do mercado. Deve ser por isso que um deputado que não se reelege busca o “cabide de emprego público”, no escalão federal ou no seu próprio Estado. Mandato político deveria ser um chamamento ao dever de servir a sociedade, contribuir, cumprir seu papel e depois voltar às suas atividades anteriores.
Para acabar com esse ‘status quo’ há que se mudar a legislação, terá de haver uma séria reforma política determinando aos cargos executivos nada de reeleição e nos mandatos legislativo uma reeleição e nada mais. Porém, quem pode mudar isso? Os próprios políticos, que com certeza não têm a mínima intenção de alterar as normas das quais se beneficiam. Sou de opinião de que a proibição de mais de uma reeleição deveria ser estendida também a sindicatos, federações, confederações, associações e outras entidades onde igualmente se vê o carreirismo, a perpetuação no cargo criando os mais variados vícios.”
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Mas, aí você, leitor, deve estar se perguntando: o que tem a ver a “piada” que trata de termo uma perspectiva correta e o texto sobre carreirismo político e corrução, de Borges da Silveira?
Tento explicar, leitor! É preciso que nós, cidadãos, passemos a enxergar, primeiramente, que o político é nosso representante, recebe para tal, e tem um papel importante a cumprir. Antes de tudo, pode ser considerado um “funcionário do povo”. Infelizmente não é isso que ocorre e estes que deveriam trabalhar em prol da população, além de serem tratados como reis, não fazem nem um décimo do que deveriam.
Infelizmente, atualmente, as pessoas, quando chegam ao poder (legislativo, executivo ou mesmo o judiciário), acabam mudando a perspectiva, como o personagem da história. Se, antes, bradavam discursos coesos, éticos e justos, agora, em suas ações, esquecem do passado. O que se vê, assim, em todos os níveis (municipais, estaduais e federais) é a falta de coesão nos discursos políticos… As ações são pautadas pelo que melhor renderá ao marketing pessoal, garantindo que o carreirismo político continue a acontecer.
Enquanto a população também não mudar a sua perspectiva e deixar, ela mesma, também, de ser corrupta, dificilmente haverá mudanças.
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“O grito que ouço das greves atuais: ‘Ei, psssiu! Quero apenas sobreviver com o mínimo, criar os filhos, trabalhar e deixar de ser explorado e de ver a falsidade e ladrões no comando. Estão avançando no quase nada que temos…. Socorro!’ Portanto, são legítimas defesas da sobrevivência! É a moralidade e a dignidade humana reivindicando seus espaços…” (Elias Mattar Assad)

