A Prefeitura da Lapa, por meio das Secretarias de Cultura e Turismo e Comunicação Social e Eventos, juntamente com a UTL – União dos Tropeiros da Lapa, realizou a tradicional cerimônia alusiva ao dia do tropeiro, no domingo, dia 20 de maio.
O evento contou com a homenagem ao Barão dos Campos Gerais e, em seguida, aconteceu uma tropeada até o Parque de Exposições de Eventos, onde foi realizada uma missa campal e um almoço de confraternização.
Representando a Ordem dos Cavaleiros do Brasil, esteve presente no evento Luiz Antônio Machado de Ávila que, juntamente com o radialista Ivacir Soares, declamou poesias campeiras e emocionou os presentes.
Já Hilário Rodrigues dos Santos, Presidente da UTL, destacou o momento em que vive a tradição tropeirista com o ingresso da juventude, clamando a estes para não deixarem morrer a tradição.
O Prefeito Paulo Furiati relembrou os costumes antigos de dar pouso ao tropeiro e ao viajante, onde estes, em altas horas, batiam na porta das famílias que acolhiam com o melhor sentimento cristão. “Está era uma época diferente, em que o sentido de irmandade existia de fato”, afirmou Furiati, destacando também o trabalho da UTL na manutenção das tradições culturais.
O TROPEIRO E A LAPA
A antiga Vila do Príncipe, hoje cidade da Lapa, no tempo em que foi fundada, em 1731, era uma grande campina, cortada por verdejante e por rumorejantes riachos de água, lugar ideal para descanso e pousada.
Os tropeiros deixaram um legado de imenso valor. Já na entrada da cidade, o monumento ao tropeiro, obra do artista Poty Lazzarotto, que registra a história dos homens protagonistas da construção da cidade. Continuando, a Avenida Manoel Pedro, uma lembrança para uma geração mais remota, que vivenciou a Rua das Tropas ser tomada pelo barulho da tropeada.
Revisitando a história da Lapa, não há como negar a importância do tropeirismo na criação e desenvolvimento da cidade. Foram os tropeiros os precursores do progresso, foram eles que fecundaram o chão do qual os lapeanos se orgulham. Lapeanos são herdeiros dos hábitos, valores, costumes, desses homens que lavraram as terras com amor e coragem, colocando o município na rota de uma história que jamais será esquecida.
Ao se falar em tropeirismo e legado cultural deixado pelos tropeiros, é preciso lembrar que personagens ilustres contribuem e contribuíram para a construção da rica história da Lapa.
Entre os personagens que destacaram-se na história do tropeirismo está a figura de David dos Santos Pacheco – o Barão dos Campos Gerais, o homem símbolo na história econômica e social do Paraná, na sua conjuntura tropeira do século XIX.
David dos Santos Pacheco nasceu em 1810 na Vila do Príncipe, as margens do Rio Iguaçu, na antiga Fazenda Bom Jardim, posteriormente Fazenda Santa Amélia e, hoje, Assentamento do Contestado. Era descendente direto dos fundadores da cidade: João Pereira Braga e Josefa Gonçalves da Silva.
Casou-se em 1844 com sua sobrinha Anna Francisca Pacheco de Carvalho, a baronesa dos Campos Gerais.
David dos Santos Pacheco foi um grande homem de negócios, teve grande importância na vida pública e política, foi empreendedor, com uma ampla visão das sociedades mercantis, da qual participou e liderou. Um dos mais importantes tropeiros e negociantes de muares da Província do Paraná, o que lhe deu projeção e posição ímpares.

