Chico Mineiro

Vocês estão lembrados da música: “ Fizemos a urtima viage , fui eu e o  Chico mineiro … Na festa do divino, que estava tão boa… O Chico foi baleado por um desconhecido… “ .

Fiquei pensando na letra desta música tão conhecida de nosso folclore popular. Escrita por Tonico e Francisco Mineiro ela relata encontros e desencontros da vida do homem simples do campo. Mas algo me incomodou ao ouvir novamente a letra desta música. O Chico mineiro e o protagonista da música foram a uma festa. Que festa era mesmo ? Festa do  divino, uma desta realizada pela Igreja para festejar o Divino Espírito  Santo. Uma festa onde os irmãos se reúnem para se alegrar e confraternizar. Uma festa onde a alegria e a diversão deveriam ser o motivo do povo se reunir. Mas que raio de homem foi aquele que levou um revolver para a festa do divino e baleou o Chico mineiro ?

Quando fico pensando que em cada evento que organizamos em nossa comunidade uma das coisas com a qual nos preocupamos é a segurança. Temos inclusive empresas especializadas em segurança de eventos. Homens que são contratados para reprimir a arruaça daqueles que com a cabeça mais quente querem estragar o evento.

Na última festa popular de nossa cidade não foi diferente. Os saldados de nossa polícia militar tiveram muito trabalho para poder controlar aqueles que não estavam imbuídos do mesmo espírito festivo. Drogas, álcool, pessoas alteradas em suas percepções normais causando problemas dos mais diversos e gerando até risco de morte para si e para os outros que estavam na rua naquele momento.

Os profissionais de nosso hospital também tiveram que redobrar esforços para poder atender a população que estava… estava… estava, se divertindo ?

A principal causa dos confrontos com a polícia, acidentes de transito e freqüência ao hospital ? O abuso ao uso do álcool como fonte recreativa. Temos que pensar nisso. Até quando estaremos dispostos a pagar o ônus dos malefícios que o álcool causa a nossa sociedade ? Até quanto estaremos dispostos a pagar. Muitos têm pago com a vida dos próprios filhos. É um preço muito alto.

O Chico mineiro poderia estar vivo até hoje, se na festa do divino um desconhecido não estivesse portando arma de fogo e a bebida alcoólica não fosse servida tão fartamente. Para nossa reflexão, enquanto contamos o saldo de nossas festas.