As pessoas influenciam-nos, as vozes comovem-nos, os livros convencem-nos, os feitos entusiasmam-nos. (John Henry Newman)
Sempre fui admiradora da ética e seus seguidores. A beleza do respeito alheio, e a forma de encará-los, demonstra no homem o valor aprendido.
Observe o texto de Luiz Fernando Veríssimo: “A ética é um comportamento social, ninguém é ético num vácuo, ou teoricamente ético. Quem vive numa economia a-ética, sob um governo antiético e numa sociedade imoral acaba só podendo exercer a sua ética em casa, onde ela fica parecendo uma espécie de esquisitice. A grande questão destes tempos degradados é em que medida uma ética pessoal onde não existe ética social é um refúgio, uma resistência ou uma hipocrisia. Já que ninguém mais pode ter a pretensão de ser um exemplo moral sequer para o seu cachorro, quando tudo à sua volta é um exemplo do contrário”.
O excelente texto demonstra que atitude ética é includente, tolerante e solidária: não apenas aceita, mas também valoriza e reforça a pluralidade e a diversidade, porque plural e diversa é a condição humana. A falta de ética instaura um estado de guerra e de desagregação, pela exclusão. A falta de ética ameaça a humanidade.
Mas, em que e onde, no Brasil, está mais fazendo falta a ética? A falta e a quebra da ética ameaça todos os setores e aspectos da vida e da cultura de um país. Mas não há como negar que, na vida política, a falta ou quebra da ética tem o efeito mais destruidor. Isto se dá porque o político deve ser um exemplo para a sociedade. A política é o ponto de equilíbrio de uma nação. Quando a política não realiza sua função, de ser a instância que faz valer a vontade e o interesse coletivo, rompe-se a confiabilidade e o tecido político e social do país. O mesmo acontece quando a classe política apoia-se no poder público para fazer valer seus interesses privados. A multiplicação de escândalos políticos no Brasil só não é mais grave que uma de suas próprias consequências: a de converter-se em coisa banal, coisa natural e corriqueira, diante da qual os cidadãos sejam levados a concluir: “sempre foi assim, nada pode fazer isso mudar”, ou coisa ainda pior: “ele rouba, mas faz”.
Do outro lado, uma vida política saudável, transparente, representativa, responsável, verdadeiramente democrática, ou seja, ética, tem o poder de alavancar a autoconfiança de um povo e reerguer um país alquebrado e ameaçado pela desagregação.
Os nossos políticos têm alavancado a autoconfiança do povo? Na Lapa, a política tem sido verdadeiramente ética? Para demonstrar, analise as últimas ações de seu representante, tanto no poder executivo como legislativo.
Quais as justificativas dadas para as ações?
Neste ínterim é preciso ir mais além. Veja que, em nossa sociedade, o mais comum é arrumarmos desculpas pelas nossas faltas, por não atingirmos o esperado. Se você chegou atrasado, culpa o ônibus ou o trânsito. Mas, nem sequer pensa que, se tivesse se precavido e saído mais cedo de casa, o fato não teria acontecido.
Se precisou faltar a um compromisso, o rol de desculpas é grande, sempre culpa de outra situação ou pessoa. Mas, se sabe que tem que cumprir com o compromisso firmado, por que não deu prioridade a ele?
A mania do “Bode expiatório” se dá pelo fato de que, desde a infância, estamos sujeitos à influência de nosso meio social, por intermédio da família, da escola, dos amigos etc. Vamos adquirindo, aos poucos, ideias morais. É o aspecto social da moral se manifestando e, mesmo ao nascer, o homem já se defronta com um conjunto de regras, normas e valores aceitos em seu grupo social.
A moral, porém, não se reduz apenas a seu aspecto social, pois à medida que desenvolvemos nossa reflexão crítica passamos a questionar os valores herdados, para então decidir se aceitamos ou não as normas. A decisão de acatar uma determinada norma é sempre fruto de uma reflexão pessoal consciente, que pode ser chamada de interiorização. É essa interiorização das normas que qualifica um ato como sendo moral. Por exemplo: existe uma norma no código de trânsito que nos proíbe de buzinar diante de um hospital. Podemos cumpri-la por razões íntimas, pela consciência de que os doentes sofrem com isso. Nesse caso houve a interiorização da norma e o ato é um ato moral. Mas, se apenas seguimos a norma por medo das punições previstas pelo código de trânsito, não houve o processo de interiorização e meu ato escapa do campo moral.
Em 2012 temos que analisar como está a ética de nossos representantes. Qual morais realmente são? O que fazem é por realmente acreditarem ser o melhor para o próximo, ou é por medo de uma sanção?
Existem vários procedimentos que podemos aplicar para a educação ética. Alguns são os seguintes: cumpra suas promessas; admita seus erros, não tente racionalizá-los, nem culpar outras pessoas por eles; não finja que idéias de outros são suas, nem aceite crédito pelas realizações de outras pessoas; baseie seu progresso em seu próprio desempenho; explique as coisas de forma aberta e honesta, não exagere, não minta, não tente ocultar coisas, não mantenha nada “secreto”.
Você também pode usar estes procedimentos para avaliar os seus representantes. Que tal fazê-lo?
-o-o-
“As palavras são anões; os exemplos são gigantes”. (Provérbio suíço)
“A ética deve fundar-se no bem comum no respeito aos direitos do cidadão e na busca de uma vida digna para todos”. (Ferreira Gullar)

