CRÔNICA – O Cerco da Lapa

Está chegando afinal, o Cerco da Lapa. E os combates, cada dia, mais encarniçados, mais horríveis, mais valentes e destemidos dos dois lados e o invasor adentrando aos quintais das casas e o bravos soldados de Carneiro, lutando e defendendo seus postos com honra e bravura; se duelam como gigantes no Olimpo dos Heróis.

Coronel Lacerda solicita com uma boca de fogo ao Coronel Carneiro, para defesa do Cemitério, sob seu Comando, no que é imediatamente atendido; segue então um canhão Witworth, o 1º, e mais um depois, um Krupp, e ali se dá o maior combate entre Pica-Paus e Maragatos, cujo setor da retaguarda e flanco esquerdo estava sob o Comando do Coronel Joaquim Lacerda.

O flanco esquerdo estava guarnecido pelas Forças sob o Comando do Coronel Dulcídio Pereira, inclusive o Regimento de Segurança do Paraná.

Coronel Carneiro atendia ao mesmo tempo todas as frentes e voltava ao Cemitério para novas instruções, onde a luta era mais intensa.

Seguem os combates e nas noites de 6 para 7 de fevereiro, em uma estrondo frouxo, chamava a atenção dos sitiados, quando verificavam a invasão pelos sitiantes nos quintais das casas da Rua das Tropas, chegando até as casas da Rua da Boa Vista.

Às 6 da madrugada, os dois canhões, o do Cemitério e o do Boqueirão, anunciam através de suas bocas de fogo, fogo geral em todas as fronteiras da Lapa.

Os Chefes, os Bravos defensores da Lapa, exauridos de munição, de remédios, de comida, de arroz, de farinha, de carne e de qualquer alimento, lutavam até o final do combate, onde os Bravos, caindo mortos, bradavam : – “Viva a República, por aqui não passam”.

De todos os lados ocorriam intensos e sangrentos combates com a perda de dezenas de combatentes e perda de Bravos Chefes: Coronel Amintas de Barros, Coronel Cândido Dulcídio Pereira, Tenente Henrique dos Santos e tantos outros.

A sete de fevereiro Carneiro é ferido, a 9 morre, e é enterrado na Sacristia da Igreja de Santo Antônio, onde outros Bravos já estavam enterrados na frente do Altar, já que no Cemitério a luta era encarniçada até de corpo a corpo.

Carneiro e tantos outros valentes caíram mortos – em pé – por aqui não passaram.

Os Bravos estavam mortos, mas a República estava a salvo.

Lapa, Terra de Carneiro, de Lacerda, de Dulcídio, de Amintas de Barros e dos Bravos da Lapa.

Este é o Cerco que deu ao Brasil a continuidade de sua República.

Lapa, PR, 20 de janeiro de 2012