No ambiente hospitalar podemos encontrar lições e ensinamentos sobre a vida, o sofrimento e a morte. No olhar dos pacientes internos se faz um ponto de interrogação – dúvidas e medos ocupam sua mente, com isto busca- se forças para viver ou se deixar levar pelo desânimo a caminho da morte. Independente da situação, o fator psicológico trabalha a mil por hora. Em ambas situações cria- se barreiras inconscientes, há pouco conforto, ou quase nenhum, vindo do profissional de saúde ou dos familiares, por mais que estes se esforcem. Permanece a agitação no seu ser do caminho incerto que virá.
Nem as pessoas que se dizem preparadas ficam confortáveis com esta nova experiência e lá no seu íntimo começa a barganha, com promessas que o tempo dissolve ao esquecimento. Podemos observar também profissionais da saúde, ainda bem que são poucos, que perderam a sensibilidade. Para estes, não há diferença entre a vida ou a morte daquela pessoa que está a sua frente. É só mais um diante das tantas ocorrências de rotina que está envolvida ao longo da profissão.
Triste fato de idosa interna com comprometimento importante que necessitava ser transferida a UTI. Devido ao procedimento moroso pelo SUS, pouca importância se deu àquela pessoa que ainda restava sopro de vida, talvez pela idade ou pelos valores elevadíssimos das diárias não se lutou por aquela vida que se esvaiu, sem causar remorsos aqueles que decidiram por matá-la. Palavras ásperas e acusadoras, mas entendo que enquanto há vida no ser humano deve-se lutar para mantê-la até esgotarmos nossas forças, buscando todos os recursos que dispomos e estiverem ao nosso alcance. Somente a Deus compete a decisão da vida e da morte.
Outro fato, na ansiedade paciente solicitou a presença do padre. Quando da visita no dia seguinte, já havia falecido no dia anterior. Muitas vezes, naquele momento tudo o que resta é apenas uma única esperança de recuperar-se e viver ou ter uma boa morte. Muitas vezes está além da vista da nossa compreensão o real sentimento do paciente sob nossos cuidados. Independente do que se crê, há uma força maior, só os tolos não a percebem. Não importa a crença, religião ou fé que se tenha, o importante é amenizar o sofrimento, principalmente o de fator psicológico e espiritual do moribundo, para que este não sinta abandono diante do mistério da morte O sopro da inspiração da vida vem de Deus, devemos fazer de tudo para manter, seja como paciente ou profissional da saúde.
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