Sr. Governador Beto Richa – A Lapa, Terra de Encantos, das tradições, das bravuras e madrinha da República dos Estados Unidos do Brasil, está apreensiva, desesperada, sofrendo por falta de hospital para atendimento de seu povo.
Sr. Governador Beto Richa, diariamente ambulâncias se deslocam da Lapa para outras cidades do Estado, para socorrer seus cidadãos enfermos e necessitando de atendimentos médicos.
Ora, Sr. Governador, isto é um absurdo para uma cidade que deu ao Brasil o anseio de milhões de pessoas como em outros países, para que tivessem governantes eleitos pelo povo e pessoas do povo iguais a qualquer um deles, e este regime é o ‘Republicano’.
Em 1893/1894 um punhado de gaúchos, os ‘maragatos’, insatisfeitos com a situação política dos governantes, fundam um partido político ‘Maragato’ e resolvem sair do Rio Grande do Sul em direção a cidade do Rio de Janeiro, então a capital do Brasil, e destituir o Presidente da República, Marechal Floriano Peixoto.
Travaram violentos combates no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e de cidade em cidade vem demolindo tudo e não há quem segure os maragatos.
Floriano convida o Coronel Gomes Carneiro, para tentar barrar os maragatos aqui na Lapa. Carneiro aceita o desafio e dentro de 48 horas se desloca indo do Rio de Janeiro até Tatuí (SP), de trem, e de Tatuí a Lapa, num total de 74 léguas fazendo a galope a cavalo; o homem é um fúria ao vento.
Chegando na Lapa recebe do Coronel Joaquim Lacerda os guerreiros da Lapa, dignos de uma Siracusa brasileira ’Que venham os maragatos’, e eis o Brado Herói de Carneiro e dos guerreiros da Lapa, ‘Por aqui não passam, só se for por cima de meu cadáver’, e no dia 03 fevereiro 1894 em juramento de bravos – proclamam ’Queimar o último cartucho e depois morrer’.
Pois bem, Sr. Beto Richa, isto era verdade. O solo da Lapa estava manchado de sangue, as ruas cheias de cadáveres, o cemitério se transformando no maior campo de batalha, a igreja de Santo Antonio, em sua sacristia e a frente do altar, o cemitério dos valentes guerreiros da República.
Governador Beto Richa, Alexandre, Julio Cesar, Átila e tantos outros há milhares de anos dizimaram povos em lutas encarniçadas em número desiguais de guerreiros e aqui na Lapa a semelhança se repetiu.
Por que uma cidade como a Lapa, com tantos atributos e que deu ao nosso Brasil o melhor de seus sonhos, o de ter liberdade de escolher seus cidadãos para dirigir sua pátria e qualquer um deles com o mesmo direito de outrem!?
Não ter um hospital que possa atender sua gente, pessoas com graves enfermidades, acidentados, não se é concebível a ninguém…
Governador, há mais ou menos 2.350 anos, um filósofo grego chamado Platão narra um banquete oferecido por Agatão, para comemorar seu primeiro sucesso dramático. Esta narrativa é feita por Apolodoro a seus companheiros quando estavam em caminho de Falero a Atenas.
Neste banquete maravilhoso entre filósofos, poetas e escritores, estão Sócrates, Fedro, Pausânias, Erixímaco, Aristofanes, Ausebiades, Diotime que atravessando séculos chegou até nós; tenho certeza, Sr. Governador Beto Richa, que não só um filosofo ou um escritor narrará seu feito sobre um hospital para atendimento geral de saúde na Lapa.
Governador Beto Richa, me permita a liberdade de chamá-lo de você! Você é descendente de árabes, eu também sou; nossos ancestrais vieram de longe, do oriente médio, Síria, Líbano; atravessaram mares e oceanos bravios em busca da felicidade, de paz, de tranqüilidade e se atiraram aos mares com coragem e determinação para a ‘Terra da Promissão’ Brasil.
Você também, Beto Richa, Governador do Paraná, igual seu pai, eu lhe peço e lhe concito, transforme nosso Hospital Regional São Sebastião da Lapa em pronto atendimento médico para atender o povo da Lapa, por tudo que ela fez pela República do Brasil, pois seu quadro imobiliário é grande e comporta tudo isso. Se achar que não, amigo Beto, construa outro hospital para o povo da Lapa. Tenha coragem como nossos ancestrais tiveram, em enfrentar mares bravios e dificuldades alheias a seu modo familiar e social em suas terras natais.
Aqui vieram, À Terra da Promissão, viveram felizes e triunfaram na terra de seus sonhos, ‘O Brasil’.
Você, Beto, venha para a Lapa e anuncie com bravura indômita a construção de um hospital e, pode ter certeza, não será apenas um escritor a narrar o banquete do amor, mas uma população inteira desesperada por falta de amparo de doença.
Este banquete, será chamado ‘O Banquete do Governador do Hospital.’
Amigo Beto, eu sou poeta e toco violino e pode ter certeza, neste banquete comemorativo ao novo hospital, tocarei a você o ‘Hino da Lapa’ ao violino e posso até declamar o seu estribilho:
Que campos verdes
Que alegre terras
Terras mais belas
Que esta não há
Quanta riqueza no solo encerro
A Linda Terra do Paraná’
Abdalla João Dardaque é um lapeano de coração

