Coluna Momento de Fé

Uma Coluna dedicado ao estudo da fé.

SALMOS

Sl 39 – Ainda que não substitua o texto em si, vamos à introdução, com vistas à interpretação e explicação contextualizada e atualizada, cristologicamente, dos Salmos, que têm em vista o conhecimento e a glória de Deus, em aroma suave, mediante Jesus Cristo. E nEle, na unidade do Espírito Santo, de fé em fé, edificação luteradora das consciências pávidas, exortação de soberbos e empedernidos, e consolo necessário, profícuo, ubérrimo dos corações atribulados.   

O Salmo 39 é um Salmo de consolo e também uma oração no sentido de que Deus não o deixe murmurar e ficar impaciente com os ímpios, que, determinados pela ausência da Palavra e da fé em sua vida, vivem e acumulam bens materiais com tanta segurança como se fossem gente que nunca vai morrer, enquanto isto e ao mesmo tempo, os piedosos, é como se fossem ou são sempre atormentados e punidos por Deus em virtude dos seus pecados. À parte da tentação da incredulidade, o salmista prefere que Deus lhe conceda que possa ser levado a pensar quão curta e incerta é a vida pós-queda de Adão e Eva em pecado, do que ser mesquinho e ostentar, como os ímpios, que é pessoa sem preocupação com a morte sem fé em Cristo. E que não venha a ser alguém que pragueja, fundamentado na realidade de contradição. Pois é um grande escândalo, e inquieta muitos corações, que os ímpios vivem entregues à vida segundo a carne e sejam aparentemente tão felizes, e os piedosos, em contrapartida, examinem em si, muitas vezes, senão sempre, tantas tristezas e vivências e experiências veramente significáveis, com razão, de contradição. Contudo, no final, conclui o salmista, à luz do conjunto do viver, acontece que a melhor coisa de tudo e de todas as coisas vivenciáveis e experimentáveis é o perdão dos pecados e ter em seu favor e benefício o Deus misericordioso que, por causa de Cristo, salva de toda miséria, como o salmista salmodia e suplica no presente, notificando-nos a perseverar na vida de arrependimento e fé diários.

No ‘título’ do Salmo, como no de número 62 e 77, nós lemos: “Ao mestre de canto, Jedutum. Salmo de Davi”. O nome de Jedutum, significa, além de designação de função – vidente do rei, 2Co 35.15; 1Co 16.42 –, responsável pela música de Deus, cujo conteúdo trata de contexto e realidade incomuns. E era muito apropriado para uma pessoa levita, líder da salmodia sacra, cooperar no sentido de que Cristo seja e permaneça importante para os ouvintes crentes. Ele foi um dos ordenados pelo rei Davi “para o canto da Casa do SENHOR com saltérios, e alaudes e harpas” – 1Cr 25.6. Mesmo que as realidades de contradição e a aparente abscondidade de Deus tenham suscitado sentimentos e emoções fortes em Davi, o rei para quem a promessa alusiva a Cristo e o próprio Cristo em Seus benefícios e proveito era importante, permaneciam bases de fé, vida, juízo: a Palavra de Deus, a graça divina, a fé em Jesus Cristo, Jesus Cristo.

É nessa situação, de real e corpórea presença de Deus junto a si e, ao mesmo tempo, de total ausência dEle, que vivem as pessoas crentes de todos os tempos nessa terra, pós-queda de Adão e Eva em pecado. Elas ocupam postos administrativos e outros cargos seculares, governam cidades e povos, têm famílias e empregados, cultivam a terra, exercem atividade comercial e outras profissões. E ainda assim reconhecem que, do mesmo modo como os reformadores da fé e da moral, eles, igualmente, se encontram na miséria e são apenas hóspedes nesse mundo fugaz e contraditório. Eis porque, como pecadores por natureza, usam o mundo como hotel, sabendo que dele deverão sair novamente em breve. Assim, não prendem o coração a negócios desse mundo. As coisas corporais eles as tratam com a mão esquerda, e a mão direita, estendem-na em direção à pátria celestial. E quando ocorrem, às vezes, enganos e se instalam insatisfações no regime desse mundo ou na administração, isto pouco ou nada os abala; pois eles se satisfazem com o fato de lhes serem reservadas as moradas celestiais por parte do Filho de Deus, aconteça o que acontecer nesse acampamento passageiro. Não há como ser diferente, vivemos, como o salmista na realidade penúltima.

Aramis Gorniski


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