Coluna Momento de Fé

Uma Coluna dedicado ao estudo da fé.

4. QUANDO JEJUARDES…

“Quando jejuardes, não façais caras azedas como os hipócritas. Pois desfiguram seu rosto, para que apareçam perante o povo com seu jejum. Em verdade vos digo: eles têm sua recompensa. Mas quando jejuares, unge tua cabeça com óleo e lava teu rosto, para que não apareças perante as pessoas com teu jejum, mas unicamente perante teu Pai, que está oculto. E teu Pai que vê no oculto to recompensará publicamente”. Mateus 6.16-18.

Para que o jejum seja uma verdadeira boa obra e agrade a Deus, mediante Cristo, por graça e fé, são necessárias muitas coisas. Pois ele não quer de modo algum que O venha a ‘cortejar’ com seu jejum, como se você fosse um grande santo, quando, entrementes, está cheio de impiedade e incredulidade, infestado de ódio e ira contra a pessoa próxima, etc. Se você quer jejuar de verdade, cuida para que antes seja e tenha sido feito pessoa cristã, pelo Espírito Santo: alguém que crê e ama, de verdade a Cristo, o Evangelho. Pois essa obra não diz respeito a Deus nem à pessoa próxima, e, sim a seu próprio corpo, etc. Mas isso, em verdade, ninguém ou mesmo pouca gente quer.

Ao longo da história eclesiástica se verifica como pregadores e pregadoras fiéis e dedicados/as foram forçados/as a jejuar por necessidade, suportar escárnio, zombaria e toda sorte de aflições, e aos / às quais ninguém ou quase ninguém dava um pedaço de pão. Aí não existia prazer, nem roupas vistosas e nem dias amenos. São aquelas pessoas que andam errantes pelo mundo e às quais ninguém conhece, das quais o mundo não é digno, como diz a Epístola aos Hebreus 11.38: “…(homens dos quais o mundo não era digno), errantes pelos desertos, pelos montes, pelas covas, pelos antros da terra.”

Jejum verdadeiro das pessoas cristãs, que tem o Evangelho colocado em curso na sua vida, é aquele no qual se castiga e se compele o corpo em todos os sentidos, de modo que tenha que renunciar a tudo e prescindir do que lhe é agradável, seja voluntária ou compulsoriamente, desde que o aceite e suporte de bom grado, por amor de Cristo, de fé em fé. Tal jejum não pode ser imposto por meio da lei. Razão pela qual quem jejua de verdade domina o corpo, o mantém ativo com trabalho, não dá lugar ao ócio, à preguiça, à lascividade.

Quanto ao jejum cada pessoa deve avaliar suas forças e sentir o que a carne precisa e, de acordo com isso, impor-lhe o jejum e as carências. Pois jejum se dirige exclusivamente contra o desejo e as tentações da carne, não contra a natureza, e não está condicionado a determinada regra ou medida, tempo ou lugar. Ele deve ser praticado sempre que há necessidade, a fim de refrear o corpo e torná-lo capaz de suportar adversidades em caso de necessidade. Ele deve ser livre, segundo a espontânea vontade de cada um, e não segundo leis e medidas pelo homem, como se verifica que aconteceu, de tempos em tempos, na igreja ao longo da história. O jejum, assim como a oração, não se pode determinar por meio de leis. Deve-se deixá-lo livre, de acordo com o que a devoção ou a necessidade de cada um sugere e exige. Também no caso da esmola: aí não se pode obrigar por leis a quem, quando ou quanto dar.

A regra geral para todas as pessoas cristãs é esta: cada qual tem o dever de viver de modo moderado, sóbrio e disciplinado, não por um dia ou por um ano, e, sim, diariamente e sempre. A Escritura chama isso de viver sobriamente – 1 Ts 5.6,8; 1 Tm 3.2; 2 Tm 4.5. De modo que, ainda que não possam observar dias fixos, ao menos, se chegue a ponto de ser moderado na comida, na bebida, no dormir e em todas as necessidades do corpo, pecador por natureza.

 

 

Aramis Gorniski


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