Coluna Bate Papo Informal

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Mais secretarias, menos esperança

A contagem regressiva já começou: Tic Tac. Estamos prestes a conhecer a nova estrutura administrativa da Prefeitura Municipal da Lapa para o próximo ano. Como um relógio de repetição incessante, as promessas de mudanças na gestão pública trazem consigo o aumento de secretarias e cargos, embrulhados como um presente natalino que o contribuinte terá o privilégio de pagar. A justificativa? “Dar andamento ao projeto” do prefeito reeleito Diego Timbirussu, uma retórica que ecoa com familiaridade entre as paredes da política municipal.

Os reajustes salariais vêm embalados na mesma caixa. Vereadores, que há dois mandatos não experimentam um aumento, e cargos de confiança verão seus rendimentos alçados a novos patamares. Curiosamente, a pressa em aprovar essas alterações ainda este ano não é coincidência. Caso contrário, os ganhos legislativos ficariam congelados até a próxima gestão. Um ajuste necessário ou uma corrida contra o tempo? A resposta, caro leitor, repousa no bolso do contribuinte.

Prepare-se: a conta já está chegando. Parte desse custo será paga com o aumento previsto do IPTU em 2025, acompanhado por um reajuste monumental de 300% no ITBI, segundo fontes internas. Não se trata apenas de um fardo anual maior para o proprietário de imóveis; é também um desincentivo direto à comercialização, sufocando um setor essencial para a economia local. A justificativa para tais aumentos? Manter uma máquina administrativa que, antes de servir à população, parece trabalhar para si mesma.

A nova estrutura administrativa promete também a criação de chefias, seções e funções gratificadas, como um prêmio para aqueles servidores que suaram a camisa na campanha eleitoral. Fidelidade política é recompensada, mesmo que isso signifique sobrecarregar ainda mais os cofres públicos já comprometidos. Afinal, com um orçamento municipal onde mais da metade será destinado a salários, resta pouco espaço para investimentos em áreas que realmente mudam a vida do cidadão.

E o que nos oferecem em troca? Mais impostos e uma enxurrada de comunicação institucional cuidadosamente elaborada para suavizar a indignação popular. Promessas de apoio de deputados eleitos são repetidas como um mantra, mas, até agora, traduzem-se em meras esperanças de recursos que mal conseguem cobrir o essencial. A dependência do orçamento próprio deixa o município à mercê de um ciclo insustentável de aumentos tributários e cortes em áreas estratégicas.

Enquanto isso, o impacto nas ruas é palpável. Quem vive na Lapa já percebe que a administração pública segue uma lógica onde o peso da máquina é sustentado pelas costas do cidadão comum. A pergunta que ecoa é: até onde podemos suportar? E mais importante, até onde devemos suportar?

O grande desafio do prefeito Timbirussu será provar que esta reestruturação não é apenas mais uma estratégia de sobrevivência política. Mas, até que isso aconteça, a descrença cresce, alimentada por decisões que parecem favorecer poucos em detrimento de muitos.

Esperemos, mas como o próprio texto sugere, sem esperança. O relógio continua a marcar o tempo, e enquanto ele avança, os desafios se acumulam. Afinal, é fácil criar secretarias e aumentar salários. Difícil é cumprir promessas para uma população que já paga caro para ver tão pouco.

Aramis Gorniski


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