
Enquanto a integradora não se manifesta, comerciantes e prestadores de serviço ouvidos pela reportagem temem o reflexo da crise no caixa da cidade
A Tribuna Regional procurou a JBS por três vezes em uma semana para obter um posicionamento sobre o estudo técnico apresentado pela SINTEG à CADEC e sobre a crise de remuneração que atinge os produtores integrados de frango de corte da região, mas não obteve resposta em nenhuma delas. O primeiro contato foi feito na quinta-feira (10), dia da reunião da CADEC em Quitandinha, às 15h05, pelo telefone de contato divulgado no site oficial da empresa.
Questionada sobre o prazo para retorno, a reportagem informou que aguardaria manifestação até as 18h da quarta-feira (16). O horário se esgotou sem resposta. Ainda na quarta-feira, às 10h24, a Tribuna enviou nova mensagem para saber se haveria posicionamento antes do fechamento da pauta, mas não teve retorno. Uma terceira tentativa foi feita nesta quinta-feira (17), às 7h09, também sem sucesso — as mensagens dos dias 16 e 17 sequer foram lidas pela empresa até o fechamento desta edição.
O silêncio da JBS ocorre no momento em que cresce, entre comerciantes e prestadores de serviço da Lapa, a preocupação com o peso da atividade avícola na economia da cidade. Segundo o levantamento técnico apresentado à CADEC, cada propriedade integrada movimenta, em média, mais de R$ 600 mil por ano em receita operacional bruta — recurso que, no dia a dia, também abastece fornecedores, oficinas, postos de combustível e comércio local.
Um lojista, que preferiu não se identificar, contou à Tribuna como enxerga essa relação: “Quem tem loja sabe como funciona: o dinheiro que entra na propriedade acaba circulando aqui na cidade. O produtor compra, paga, troca equipamento, faz manutenção, movimenta um monte de coisa. Se ele aperta o cinto porque a conta não fecha, a gente sente no caixa também. Não é um problema só de quem está produzindo, respinga em todo mundo.”
Um prestador de serviços, também sob reserva de identidade, relatou observar o mesmo movimento pela ponta dos consertos e da manutenção: “Eu vejo isso mais de perto pelo serviço. Quando o produtor começa a segurar gasto, adia conserto, deixa manutenção para depois, a gente já percebe. E não é só o meu serviço: tem mecânico, posto, loja de peça, transportador… É uma roda que gira. Se o produtor para de girar, uma hora a cidade inteira começa a sentir.”
A negociação entre a CADEC e a JBS pelas novas condições da parceria segue prevista para a segunda quinzena de setembro. Até o fechamento desta edição, a integradora não confirmou se haverá uma resposta formal ao estudo da SINTEG nem se comparecerá à mesa de negociação nos termos propostos pela comissão. O espaço permanece aberto à empresa, e a Tribuna Regional continua acompanhando o caso.

