
Levantamento da SINTEG apresentado à CADEC nesta quarta-feira (10), em Quitandinha, deve embasar negociação com a JBS por melhores condições na parceria ainda em setembro.
A Comissão para Acompanhamento, Desenvolvimento e Conciliação da Integração (CADEC) reuniu, nesta quarta-feira (10), em Quitandinha, cerca de 100 produtores integrados à JBS para apresentação de um estudo técnico que aponta a inviabilidade econômico-financeira do atual modelo de remuneração da avicultura de corte na região.
O levantamento foi elaborado pela SINTEG – Soluções Integradas em Negócios / Consultoria e Perícias Ltda., sob responsabilidade técnica do economista Alípio Moreira dos Santos (CORECON 6794/PR). O estudo analisou o exercício completo de 2025, combinando dados oficiais de mercado com levantamento direto de campo entre os produtores.
Segundo o material apresentado, a remuneração líquida média efetiva do produtor integrado fechou 2025 em R$ 1,34 por cabeça abatida, contra um custo operacional direto de R$ 0,97 por cabeça — resultado que gera margem bruta de 28,06% ao ano, mas que, conforme a consultoria, desconsidera depreciação das instalações e remuneração do capital investido.
O estudo aponta ainda que os principais insumos da atividade dispararam na última década: o metro cúbico de lenha para aquecimento subiu 527% entre 2015 e 2025, a energia elétrica acumulou alta de cerca de 100%, o óleo diesel avançou 125%, e o piso do salário mínimo rural no Paraná subiu mais de 92%. No mesmo período, o preço contratual pago por quilo de frango vivo teve reajuste nominal de 117,39% (98,98% em termos reais) — variação inferior à maioria dos custos que pesam sobre a granja.
Conforme a consultoria, implantar dois aviários climatizados (modelo Dark House) de cerca de 6 mil m² hoje demanda investimento de R$ 5,8 milhões, valor que, segundo as projeções apresentadas, não é amortizado pelo resultado operacional atual. Na simulação de dez anos feita pelo estudo, a margem cairia de 28,06% para um ponto de ruptura já no sexto ano, chegando a -48,34% no décimo, caso o modelo de remuneração não seja revisado.
Diante do quadro, a SINTEG apresentou à CADEC três cenários de remuneração por cabeça abatida, entre R$ 1,65 e R$ 2,15, como parâmetros de negociação. Segundo a consultoria, o piso de R$ 1,90 por cabeça seria o mínimo necessário para viabilizar o pagamento de financiamentos bancários da atividade.
Autor do estudo, Alípio Moreira dos Santos afirma que “o crescimento do setor não está chegando à ponta, ou seja, ao produtor integrado”. Para ele, “do jeito que está desenhada hoje, a atividade se tornará inviável no médio e longo prazo — e, para muitas propriedades, esse ponto de inviabilidade já foi atingido”. O consultor reforça que “o objetivo principal deste estudo é servir como base sólida para renegociar os termos dessa parceria”.
A Tribuna Regional procurou a JBS para manifestação sobre os dados apresentados pela SINTEG e sobre a reunião realizada na CADEC. Em razão do curto intervalo entre o encontro e o fechamento desta edição, a empresa não respondeu até a publicação. O espaço segue aberto para posicionamento da integradora nas próximas edições.
A negociação entre CADEC e JBS pelas novas condições da parceria está prevista para a segunda quinzena de setembro. A Tribuna Regional acompanha o desdobramento do caso e deve trazer, nas próximas edições, o resultado do encontro e a resposta da empresa integradora.


