Há quase 10 anos chegava à Lapa um novo pároco para a Paróquia de Santo Antonio. Tratava-se do jovem Padre Emerson Lipinski. Em sua estada no município, várias conquistas para o povo católico: reforma do Santuário de São Benedito, das Capelas do interior, e a novena em louvor a Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em vários horários, todas as quartas-feiras, na Igreja Matriz. Muitas pessoas relatam ter alcançado graças por intermédio da Mãe de Jesus, após a realização das novenas.
Mas, depois de quase uma década, chegou a hora de a paróquia receber outra liderança. No próximo domingo, dia 5 de julho, Padre Emerson Lipinski se despede da Lapa. Às 9h será celebrada Missa em Ação de Graças pelo Ministério Sacerdotal vivido pelo Pe. Emerson na Paróquia de Santo Antonio. A missa acontecerá no Santuário Diocesano de São Benedito. A Tribuna Regional conversou com Padre Emerson sobre sua estada na Lapa e seus desejos para o povo lapeano. Confira:
Tribuna Regional: Há quanto tempo está na Lapa, como Pároco?
Padre Emerson: Recebi este ofício do Arcebispo de Curitiba Dom Moacyr José Vitti, quando a Paróquia ainda pertencia a Arquidiocese. Ele me apresentou como Pároco de Santo Antônio numa quarta-feira, dia 13 de setembro de 2006, no Santuário Diocesano de São Benedito.
TR: O que motivou/determinou sua vinda para a cidade?
PE: O Arcebispo tinha um problema a ser solucionado com urgência. Meu predecessor precisava sair e a paróquia não podia ficar vacante. Eu era vigário paroquial da Paróquia Santa Teresinha em Curitiba – PR e cursava psicologia. Vim em obediência ao Arcebispo e pela necessidade desta Igreja. Com a criação da diocese de São José dos Pinhais voltaria para a Curitiba, mas a pedido de Dom Ladislau fiquei, e aquilo que era para ser breve durou estes nove anos.
TR: Quando chegou, quais foram suas impressões a respeito da comunidade?
PE: Não houve “primeiras impressões” (risos). Não deu tempo de tê-las, havia urgência em fazer cumprir algumas determinações do Arcebispo. A vida de Padre por aqui é exigente e agitada. A vida me ensinou também a não olhar de modo rápido para as pessoas… Primeiras impressões tendem a ser falsas, pois não se vê aquilo que é essencial e verdadeiro. Gosto de acreditar na profundidade das relações, e isto custou tempo até Padre e comunidade se conhecerem. Detive-me a contemplar primeiramente aquilo que é estrutural, administrativo e planejar organização e conserto onde havia erro ou não estava belo. Na beleza, na organização, na verdade o Sagrado ia moldando nossas relações. O conhecimento das pessoas foi dando-se vagarosamente. Não olhei as pessoas que formam esta comunidade com os olhos rápidos em tecer definições. Olhei a todos com o coração de Pastor e percebi o que diz o escritor francês: “o essencial é invisível aos olhos”! A Paróquia é uma comunidade de comunidades incomparável! Qualquer semelhança ou comparação é falsa. “As pessoas que aqui gorjeiam não gorjeiam como lá”. Olhei a cada um como único, e percebi uma imensidão de virtudes… Minha impressão gerou uma dúvida teológica, acho que o Pentecostes se deu aqui. Vi muitos apóstolos de Jesus Cristo a consumir-se pelo Reino de Deus. Não há como definir a comunidade, Graças a Deus! Hoje sou lapeano, apaixonado por este chão e pelas pessoas que aqui comigo convivem. Acho que nos misturamos e levo a Lapa em mim, deixando meu coração aqui. Que a saudade eternize a convivência destes nove anos.
TR: Quais foram suas principais ações na Paróquia e o que o motivou a colocá-las em prática?
PE: Muita gente pergunta isso nos últimos dias. Não acredito em “feitio” do Pároco. Aqueles que têm a missão de liderar são estimuladores… Na função de estimulador que me foi dada busquei servir. No serviço busquei fazer as pessoas voltarem-se para Deus e para suas obras. Posso dizer que fui um semeador da Palavra de Deus e um semeador de ideias para que o Reino de Deus começasse aqui. Acredito que tive reta intenção em fazer acontecer à missão que a mim foi confiada. A partir daí as pessoas de bem, que acolheram a Palavra, puseram em prática. Não fiz nada além de conduzir este rebanho… Na condução fui coadjuvante. Os protagonistas de toda ação na comunidade católica nestes nove anos foram os leigos que se deixaram ouvir.
TR: Em sua despedida, qual mensagem deseja deixar para os fieis e todos os demais lapeanos?
PE: Não quero que seja uma despedida. Os cristãos não se despedem se encontram na fração do pão, em cada Eucaristia. Mas quero dizer uma mensagem neste momento em que Deus me concede uma nova missão e me distancia do cotidiano da comunidade. Sejam “Perseverantes e Bem Unidos”! O diabo rodeia como um leão a rugir, resistam firmes na fé. O diabo é tudo aquilo que fomenta divisões. Na vida cristã, busquem a unidade, na vida familiar, busquem a unidade, na atividade política do município busquem a unidade para o bem comum. Para a promoção humana de todos que aqui vivem, unam-se e sejam tolerantes e misericordiosos com os semelhantes. Lembrem-se da urgência de uma sociedade mais solidária e igualitária, e coloquem “as mãos no arado” juntos! As pessoas carentes de promoção humana precisam da soma das nossas forças. Voltem-se para Deus e para vivência do seu maior Mandamento: O Amor a Ele e ao próximo. Encontramo-nos nas longas estradas da vida… E quiçá não estejam esburacadas. Perdoem este padre chegou aqui menino e amadureceu no convívio e nas relações com cada um. Aonde Deus me mandar tenham a certeza que meu coração estará murmurar: “Que campos verdes, que a alegre terra, terra mais bela que esta não há…”

