A redação entrou em contato com alguns setores e empresários no município para saber como a mobilização dos motoristas está atingindo a região.
As manifestações dos caminhoneiros pelas estradas do país estão intensas e os estados de Mato Grosso, Santa Catarina e Paraná são os que apresentam maior número de interdições e bloqueios. A BR-476, também conhecida como Rodovia do Xisto, foi bloqueada próximo à REPAR (Refinaria Presidente Getúlio Vargas – Petrobras), em Araucária, das 11h às 13h, na terça-feira, 24 de fevereiro.
Por causa do protesto, várias cidades já começam a sofrer com a falta de produtos, como a gasolina. Em alguns lugares o estoque já está no fim, fazendo com que o litro seja oferecido a preços exorbitantes.
NA LAPA
Segundo Ronaldo Almeida, que trabalha com fretamento, a greve está atrapalhando o transporte, pois não há como se chegar ao destino. Isso dificulta a geração de lucros e o pagamento de funcionários. Para ele, a greve gera prejuízos e, se intensificar, será impossível realizar muitos trabalhos.
Para a equipe da Transluz, a greve também já está surtindo efeitos negativos. Estão faltando caminhões, as estradas estão bloqueadas e muitos caminhoneiros são impedidos de passar. Além de prejudicar as empresas terceirizadas (que fazem o transporte), prejudica as fornecedoras. Isso porque a safra se aproxima e, caso a paralisação continue, não haverá onde estocar os produtos, pela falta de espaço, não tendo como fazer o escoamento dos grãos até o porto de Paranaguá, por exemplo.
Quanto ao abastecimento de combustíveis, Liko, responsável pelo departamento de Relações Públicas e atendimento dos Postos Avenida, conta que o abastecimento de combustíveis no município ainda não está sendo afetado.
Em relação a abastecimento de frutas e verduras, Sérgio Dezatenick, proprietário da Banca do Sérgio, na Rua Souza Naves, conta que somente as frutas que não são produzidas na região é que estão começando a faltar. Um exemplo é o mamão papaia, que já começa a ser vendido com preço mais alto por conta da pouca oferta. Se antes da paralisação a caixa era comercializada a R$ 25, agora é oferecida por R$ 35. Quanto a frutas e verduras em geral, Sérgio conta que a região não está sofrendo tanto os efeitos da paralisação por conta do chamado “Cinturão Verde” (municípios da região metropolitana de Curitiba produtores de hortifrúti).
ACORDO
Apesar da tentativa de acordo entre governo e caminhoneiros na quarta-feira, 25 de fevereiro, a categoria ainda mantinha diversos pontos de rodovias federais parcialmente ou totalmente bloqueados na manhã de quinta-feira.
Pela proposta apresentada, o governo prometeu sancionar a Lei dos Caminhoneiros sem vetos, prorrogar por 12 meses o pagamento de caminhões por meio do Programa Procaminhoneiro, além da criação, por meio de negociação entre caminhoneiros e empresários, de uma tabela referencial de frete. Nesse item, os representantes dos caminhoneiros pediram que o governo atue na mediação com os empresários.
Se ainda não afetou, a paralisação pode afetar o lapeano caso a paralisação perdure. Basta ver o comunicado oficial de uma das maiores empresas de produtos perecíveis, a Frimesa. Nesta semana, ela informou que irá parar de fazer a recolha de leite, pois não há mais espaço físico para manter o produto.
Outro exemplo é a empresa BRF que interrompeu a produção de aves por falta de matéria prima em suas fábricas de Francisco Beltão e Dois Vizinhos. A BRF é responsável por uma extensa cadeia de produção que movimenta praticamente todo o ciclo agropecuário, iniciando pela compra e transporte de grãos para fabricação de ração animal, passando pela compra de insumos para manutenção de parcerias com milhares de pequenas famílias produtoras rurais, abate, industrialização e distribuição de alimentos acabados para quase todos os lares brasileiros e mais de 110 países importadores.
OS MOTIVOS
Toda esta situação foi deflagrada em consequência dos aumentos dos combustíveis, da má conservação das estradas, do baixo valor dos fretes, da alta dos pedágios, da alta dos impostos, entre outros tantos abusos que o (des)Governo vem cometendo contra a sociedade.
O protesto realizado pelos caminhoneiros, apesar de afetar toda a população, precisa receber apoio dos brasileiros. Afinal, não basta somente reclamar, criticar, manter os braços cruzados e não fazer absolutamente nada. Ou, pior, não fazer nada e ainda voltar a eleger os mesmos corruptos nas próximas eleições.
Estes profissionais que estão hoje protestando recebem o apoio da Tribuna Regional. E o pequeno grande acredita que a população, que já sofre as consequências da corrupção brasileira, também deve apoiar a categoria. Enquanto os cidadãos não lutarem, efetivamente, por melhorias, nada poderá ser mudado.

