Em meio a tantas propostas, tanto de candidatos a vereadores como candidatos a prefeito, fico me indagando o que realmente faz o eleitor confiar o seu voto a este ou àquele candidato.
Serão mesmo as propostas? Acredito que não. Elas podem até colaborar, mas o que de fato determina, creio eu, seja a credibilidade do candidato. Suas ações pela comunidade, sua postura diante de seus compromissos, sua índole… E assim por diante.
Até seria um bom começo para se avaliar o representante do legislativo e do executivo. Mas, só isso não basta. Em algum momento é preciso avaliar o que o seu candidato “favorito” tem a oferecer. Mas, veja, não se trata de ter propostas que agradem somente a você. É preciso que abranja o todo, senão não será realmente o representante do povo.
No entanto, o que mais me preocupa não é ver que muitos candidatos não sabem ao menos a que vieram. Estes, tendo boa índole, quem sabe poderão descobrir o caminho e ainda serem bons políticos.
Me preocupa ver na disputa aqueles que praticam a política assistencialista. Aqueles que posam de heróis partindo do princípio de tirar proveito da miséria alheia. São os políticos (ou pretensos a políticos) cientes da condição precária ou da má qualidade de vida do cidadão, que oferecem um alívio momentâneo que refresque por tempo limitado.
A fome, por exemplo. Só quem passou por ela é capaz de saber sua real crueza, sua verdadeira voracidade. E quando aparece alguém ofertando um prato de comida, o faminto tem por este alguém uma infinita e leal gratidão.
É a vida de gado de um povo que mesmo marcado ainda consegue esboçar sinais de felicidade. A política assistencialista é formada por políticos muitas vezes inescrupulosos que se escondem por trás de uma suposta boa ação para desta forma tirar proveito próprio.
E na Lapa, leitor, há desses políticos, sim. Eles sabem jogar sujo. Mas aos olhos das vítimas tudo parece limpo, aprontam e são respeitados ou defendidos pelo povo.
Não é essa política que eu quero ver ganhar nestas eleições. Não é isso que quero ganhar pelos próximos quatro anos. O que todos deveriam querer é dignidade social, não assistencialismo.
É na condição desconfortável do pobre que o político lhe rouba a consciência, é em sua saúde frágil, na escassez de seu dinheiro que o pobre sente pelo político uma enorme gratidão.
Não é interessante o fim da miséria para o político assistencialista, pois a miséria do cidadão condiciona o político permanecer no poder como cordeirinhos quando na verdade são lobos devoradores.
Se não houver meios de se fazer uma política limpa, onde os princípios de dignidade sejam para todos os cidadãos, viveremos presos às vontades de alguns, que não se mobilizam para a melhoria das condições de vida da população.
É preciso livrar-nos desta pratica e termos a consciência de que o assistencialismo como promoção eleitoreira é um terrível tumor que deve ser arrancado das entranhas da política e da consciência do eleitorado.
É no entanto dar ao homem, não unicamente o peixe, mas proporcionar condições para que este mesmo homem pesque com autonomia, sem subordinação.
A política justa parte do princípio onde as pessoas não tenham que viver de esmolas, mas que tenham condições auto-suficientes para suprir o mínimo de suas necessidades.
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“Seu Doutor uma esmola
para o homem que é são
ou lhe mata de vergonha
ou vicia o cidadão”…
( Luis Gonzaga – Zé Dantas )

