DIREITO DE RESPOSTA – Saúde: grande dilema atual

P.A. da Lapa é fonte perene de tensão entre usuários e profissionais de saúde: desgaste, desmotivação, não reconhecimento do seu esforço pela população. Subentende-se que um local aberto 24 horas deva prestar assistência e atender todos e a tudo. O P.A. da Lapa visa atender casos de urgência e ou emergência de baixa e ou média complexidade, concentrando recursos, diagnósticos e tratamento, promovendo a saúde, tratando, visando integrar estas pessoas à sociedade, em condições de retomar suas respectivas funções. Acolher os usuários ou pacientes intervindo em sua condição clínica e referenciar para a rede básica de saúde, para a rede especializada ou para internação hospitalar. Promover e organizar acolhimento, atendimento do usuário e classificação de risco.

Segundo o Conselho Federal de Medicina, em sua resolução CFM nº 1451 de 10/03/1995 (Conselho federai de medicina, 1995), temos a seguinte classificação:

– Urgência: ocorrência imprevista de agravo à saúde com ou sem risco potencial de saúde, cujo portador necessita de assistência médica imediata.

– Emergência: constatação médica de condições de agravo à saúde que impliquem em risco iminente de vida ou sofrimento intenso, exigindo, portanto, tratamento médico imediato.

O decreto municipal nº 17324, de 12 de julho de 2011, dispõe sobre o acesso e igualitário à assistência de serviços e farmacêutica: estar o usuário assistido por ações e serviços de saúde do SUS. E o Decreto federal nº 7508, de 28 de junho de 2011, que regulamenta a Lei nQ 8080/90, dispõe sobre a organização do Sistema de saúde — SUS.

A Lei nº 8080/1990) dispõe sobre as condições para a promoção, proteção e recuperação da saúde, a organização e o funcionamento da saúde. Na Constituição reafirma princípios e diretrizes como a universalidade de acesso aos serviços de saúde em todos os níveis de assistência, participação de comunidade, a descentralização político administrativa, com direção única em cada esfera de governo e ênfase na descentralização dos serviços para os municípios, além da regionalização e hierarquização da rede de serviços de saúde, entre outros.

TRIAGEM

Qual é a importância da triagem ou classificação de risco feita peia equipe de enfermagem?

Até a pouco tempo, o P.A. funcionava como “porta de ¬entrada” de todos os setores, acolhendo pacientes de urgência propriamente dita, pacientes com quadros percebidos como urgências, pacientes desgarrados da atenção primária e as urgências sociais. Tais demandas misturam-se nas unidades superlotando-as e comprometendo a qualidade de assistência prestada à população. Esta realidade assistencial é ainda agravada por problemas organizacionais destes serviços corno, por exemplo, a falta de triagem de risco, o que determina o atendimento por ordem de chegada sem qualquer avaliação prévia do caso, acarretando que pacientes com quadros mais graves permaneçam horas aguardando pelo atendimento de urgência; as pessoas disputam o atendimento, onde a prioridade é dada pela hora de chegada e não pela distinção de riscos, podendo alguns casos se agravarem na fila, ocorrendo até a morte pelo não atendimento em tempo adequado.

Esta nova forma de organização do P.A. de Lapa (implantação da classificação de risco) promoverá melhoria de acesso dos pacientes (evitando filas e ordem de chegada), organizando a forma de atender, garantindo o atendimento imediato a riscos elevados.

Por que uma pessoa que faz uso contínuo de uma medicação não faz planejamento ou agendamento com seu médico assistente antes? Já que quando falta esta determinada medicação lhe faz mal, quando esta pessoa é bem orientada e é da área da saúde? Portanto, avaliação de exames, renovar receituário de medicação de uso contínuo, investigação de patologias, curativos, doenças crônicas, encaminhamentos a especialistas e outros podem ser acompanhados pelo médico assistente em nível ambulatorial.

Como seria Lapa se não fosse as enfermeiras…

Dra. Hsu Moi O. Ramos, Médica OHM – PR 29131

– DA REDAÇÃO –

Sobre a matéria Do Leitor, publicada há duas semanas, temos a esclarecer, novamente, o comentário feito pela redação com relação aos fatos:

O que é preciso questionar, aqui, não é somente os tipos de atendimento que são prestados pelo Pronto Atendimento Municipal (P.A.), como bem esclareceu a Dra. Hsu Moi no direito de resposta. Mas, é preciso esclarecer que, por mais que haja melhora na organização dos serviços de saúde prestados, não se deve nunca esquecer que onde se trabalha com pessoas, é preciso preparo para, principalmente, oferecer a informação ou orientação orreta ao paciente.

O atendimento solicitado pelo paciente não é prestado no P.A., mas foi lá que a pessoa procurou auxílio? Então custa muito pouco orientar a pessoa, ao invés de dizer simplesmente “o atendimento não é feito aqui”, ou algo do gênero. Novamente dizemos: muitas vezes o simples fato de saber orientar resolve muitos problemas. Nenhuma pessoa é obrigada a saber os locais corretos para buscar atendimento. No entanto, o funcionário, se não souber, deve ao menos procurar informações para orientar a população. Isto para que os munícipes não precisem fazer, muitas vezes, “vias sacras” entre departamentos até descobrirem onde solucionam seus problemas.

Fica, novamente, a dica: treinamento para orientar os pacientes. Simples e eficaz.