Selton Mello agitou a Lapa no V Festival de Cinema

Sempre simpático, o ator atendeu muitos fãs lapeanos durante sua passagem pela cidade. No sábado à noite, após o encerramento do Festival, Selton foi para a balada e curtiu a noite lapeana até às 5h da manhã

Ganhador dos principais prêmios e a maior atração do V Festival de Cinema da Lapa, o ator de 39 anos, que já participou de mais de vinte filmes ao longo da carreira, entre eles “O auto da Compadecida”, “Lisbela e o Prisioneiro” e “Meu nome não é Jhonny”, chegou à cidade histórica na noite de quinta-feira (12/04), para participar do Festival de Cinema da Lapa e promover seu filme “O Palhaço”.

No dia seguinte, Selton atendeu a imprensa local e concedeu uma entrevista para a Tribuna Regional, no Theatro São João. Muito simpático, o ator mostrou um jeito simples e carismático que chamou a atenção de todos que tiveram a oportunidade de conhecê-lo. Após a entrevista, Selton prestigiou o Festival e assistiu junto ao grande público presente o filme “O Palhaço”.

No sábado, o ator participou da premiação do Festival, no Cine Teatro Imperial, e foi o grande vencedor nas categorias “Melhor filme de época” e “Melhor direção”.

Na madrugada de sábado para domingo, para a surpresa de todos que estavam presentes na Status Bar, Selton Mello compareceu a 8° edição da Festa Click Agitos, acompanhado de alguns amigos e do também ator Alexandre Nero. Selton atendeu a todos os seus fãs e ficou a maior parte da festa em um camarote, demonstrando gostar bastante da noite lapeana. Já no fim da festa, por volta das 5h, o ator foi embora acompanhado de uma amiga.

Durante sua passagem pela Lapa, Selton atendeu a diversos fãs sempre com muita humildade. No domingo, dia 15 de abril, o ator que estava hospedado no SPA Lapinha, se despediu da Lapa rumo a São Paulo-SP cidade onde reside quando não está trabalhando.

O PALHAÇO

O filme conta a história vivida pelo palhaço Benjamin (Selton Mello) e seu pai Valdemar (Paulo José), em um circo pobre dos anos 1970. Apesar de Benjamin ser muito bom na sua profissão, não se vê feliz com a vida que leva.

“O Palhaço” é uma história de muito bom gosto que faz com que quem assista reflita a vida de diferentes maneiras. Mais de um milhão e quinhentas mil pessoas em todo o Brasil já assistiram ao filme.

Além de ator, Selton Mello acumula a função de diretor do longa metragem.

ENTREVISTA

Confira a entrevista que o ator concedeu ao jornal A Tribuna Regional:

TR – Hoje você é um dos atores de maior sucesso no Brasil. Como começou a sua carreira?

SM – A minha família sempre foi ligada a televisão. Logo aos sete anos eu fui cantar na TV, depois disso fiz alguns comerciais, aÍ surgiram As novelas, teatro e o cinema.

TR – No filme “O Palhaço”, além de ator você é o diretor. Como surgiu esse interesse de também dirigir filmes?

SM – Eu sempre fui um ator curioso. Sempre me interessei pela parte técnica do filme, então era normal que esse camarada tão curioso aqui viesse a dirigir. Hoje me sinto mais criativo, além de cuidar do meu personagem, tenho que ter atenção com os personagens dos outros atores. Tenho que me preocupar com o enquadramento da câmara e com a história em geral. É trabalhoso, mas eu gosto disso.

TR – Como foi dirigir e atuar ao mesmo tempo?

SM – Atuar pra mim é natural, eu nem penso só coloco ma roupa e atuo. Durante as filmagens de “O palhaço” eu estava ligado mesmo era na direção.

TR – Por que a escolha da história de vida de um palhaço para o filme?

SM – O filme, na verdade, é uma grande homenagem a minha profissão. Escolhi o palhaço porque ele é o artista mais puro que existe. O filme é sensível e encanta as pessoas. Vejo hoje que foi uma boa escolha.

TR – O seu irmão, Danton Mello, já esteve na Lapa há alguns anos. Você já conhecia a Lapa ou tinha ouvido falar do Festival de Cinema da cidade?

SM – Eu não conhecia a cidade, mas já tinha ouvido falar do Festival por conta de colegas que já haviam vindo para a Lapa. A referência que eu tinha da cidade era mesmo o meu irmão. Ele esteve aqui e gravou o “O preço da paz”, um filme de época muito bonito, e havia me falado alguma coisa da Lapa. Eu estou conhecendo agora a cidade e gostei muito do que vi até então.

TR – O filme “O Palhaço”, com apenas três semanas de exibição nos cinemas, já havia sido assistido por um milhão de pessoas. Você esperava um sucesso tão grande logo no começo da carreira como diretor?

SM – O Palhaço é meu segundo filme como diretor.

O primeiro se chama Feliz Natal. Eu tinha, sim, uma expectativa grande de público com “O Palhaço”, mas foi melhor do que eu imaginava. Isso foi também uma confirmação de que o público gosta de ver coisas sensíveis e delicadas. O filme, apesar de ter muita comédia, é delicado e faz bem ao espírito. Geralmente os grandes profissionais em cada área são aqueles insatisfeitos, aqueles que querem mais, que não se acomodam, são aqueles que pensam “eu posso fazer melhor”, e “O Palhaço” mostra isso. Parece que o público esperava um filme assim.

TR – Como foi atuar com o ator Paulo José?

SM – O Paulo José é um dos maiores atores do país, um cara extraordinário, uma grande pessoa para se conviver. Foi um encontro entre duas gerações, cada uma com a sua história. Durante as filmagens no circo, a gente se encontrava e era muito bonito, era como se aqueles palhaços interpretados por nós saíssem da tela e falassem da gente também. No filme nós falamos de arte e eu e o Paulo somos artistas, então foi tudo muito legal e emocionante.

TR – O filme tem algumas cenas em que os atores nem precisam falar e mesmo assim o público já entende e se emociona com a cena. Isso tudo foi pensado no teu trabalho como diretor?

SM – Eu e toda a direção queríamos fazer um filme que não fosse tudo “mastigado”, “falado”. Queríamos, sim, um filme que deixasse um espaço para a reflexão.

Na geração dos meus pais, existiam as novelas de rádio, onde tudo era dito para que quem estivesse escutando pudesse entender. A televisão e as telenovelas herdaram essa escola do rádio.

Já o cinema tem a capacidade de dizer muito, falando pouco. Eu aprecio muito filmes assim. Então quando fui fazer “O Palhaço”, queria que ele fosse assim.

Foto: Premiação da Mostra Competitiva do V Festival de Cinema da Lapa: filme “O Palhaço”, do ator e diretor Selton Mello, foi escolhido o melhor filme de época. (Foto Diair Portes)