É dado o primeiro passo para auxiliar os autistas na Lapa

No dia 16 de abril foi feita a fundação da Associação Lapeana de Apoio ao Autista – Anjo Azul, com participação de muitos voluntários e familiares de crianças com a doença

Na noite de segunda-feira, dia 16 de abril, aconteceu reunião no plenário da Câmara Municipal da Lapa, para fundação da Associação Lapeana de Apoio ao Autista – Anjo Azul. Nesta data foi aprovado o nome da associação, bem como o seu estatuto e a primeira diretoria, que ficou assim definida: Presidente Eva Ediane Joslin, Vice-Presidente Angela Valeria Ribas Gomes, 1° Secretário Wagner Fernando Rosario Ruiz, 2° Secretária Bruna Joslin, 1° Tesoureira Elaine Christine Ribas Martins Schmidt, 2° Tesoureira Suzana Maria Reichert Gorniski, Presidente do Conselho Fiscal Alípio Moreira dos Santos, 1° Moderador Luiz Carlos Gemin, 2° Moderadora Cleusa Rubel Knaut e Secretária Executiva Monica da Silva Joslin.

A associação tem por objetivo incentivar a divulgação do autismo e desenvolver programas, oficinas e projetos específicos, organizar eventos, seminários, promover a inclusão do autista na escola comum de forma específica, nos meios de prática de esportes, lazer e recreação, no mercado de trabalho. E, sempre que possível, incentivar a procura por diagnóstico clínico. Ainda, buscar apoio junto aos Poderes Públicos Municipais, Estaduais e Federais e, principalmente, promover a criação de centro de atendimento especializado em autismo que possa treinar todos os profissionais e, assim, ter pessoas especializadas em educação ou habilitação do autista, bem como de seus pais e familiares. Desta maneira, poderão ser melhor oferecidos e aplicados o métodos corretos de aprendizado.

Na noite de segunda-feira, estiveram presentes na fundação da associação aproximadamente 40 pessoas, assinando a Ata. Entre elas, pais de crianças autistas e pessoas que se sentiram sensibilizadas pela causa. Assim, a entidade já conta com auxílio de profissionais de algumas áreas, além de demais voluntários que pretendem auxiliar da maneira como puderem.

Segundo a Presidente da entidade, primeiramente a Associação fará um levantamento de quantos são os portadores de autismo na Lapa e como estão sendo atendidos. “Já temos psicólogos voluntários que irão trabalhar com os pais e com a aceitação do autista. E também contamos com o apoio de uma importante escola de Curitiba, o Centro Conviver, que desenvolverá um projeto especifico para o município. Assim, nos próximos dias apresentaremos o plano ao Executivo Municipal, para que, com o apoio do Prefeito e Vereadores, aprove de imediato o projeto”, conta Ediane.

A repercussão da iniciativa da Presidente da associação foi grande, tanto que muitos se perguntaram os motivos de esta mãe ter tanta pressa na criação da entidade. E ela responde, dizendo: “as outras crianças autistas que tenho que tenho contato estão na mesma faixa etária de meu filho, entre 3 e 6 anos. E, quanto antes iniciarmos o tratamento da forma correta, maiores as chances de terem mais qualidade de vida e desenvolvimento das habilidades, podendo conquistar mais independência”, relata.

SENSIBILIDADE

Na reunião, a fundadora da Associação afirmou: “até hoje o que fiz pelo próximo foi insignificante, mas espero, a partir de hoje, fazer muito mais”. E este posicionamento, aliado ao amor incondicional demonstrado por seu filho e também pelos demais que sofrem do mesmo problema, fez com que muitas pessoas se sentissem tocadas a ajudar.

Foi o caso do casal Claudio Ney Lins Goslar e Christiane Schmidt, que se sentiram sensibilizados com o amor incondicional de Ediane não só com seu próprio filho, mas com outras crianças que serão beneficiadas. “A dor dela se transformou em amor pelas outras crianças também”, afirma Claudio, que explica ainda que, apesar de a sua formação profissional e de sua esposa não serem específicas para o atendimento às crianças, pretendem ajudar voluntariamente, seja financeiramente ou no que for preciso.

Outra voluntária é a funcionária pública municipal, Judite Rodrigues Vieira, que relata ter decidido participar por crer na importância da solidariedade. “Nunca se sabe o dia de amanhã, ninguém está livre de um dia precisar de ajuda”, conta ela.

E, em se tratando de profissionais que possam atuar também oferecendo seus conhecimentos no tratamento das crianças, a pedagoga e proprietária da Escola Oficina de Talentos, Cleusa Aparecida Rosa Gemin, afirmou que esta é uma oportunidade de oferecer apoio às famílias. A pedagoga recebeu o filho de Ediane, o Gabriel, em sua escola, onde ele é atendido duas vezes por semana, nos dias em que não vai para a APAE local. E ela afirma, quanto ao trabalho da associação, que tudo auxilia o enriquecimento profissional. “O município já possui o CAE, que é muito bom, mas tudo o que vem para melhorar, temos que apoiar”, conta ela, que é professora da rede municipal há 25 anos, tem experiência com portadores de deficiência e será voluntária na Associação como Pedagoga e Professora de Música, além de auxiliar na orientação aos pais.

RELATO

A psicóloga Juliana Stegues Pazzinato irá atuar voluntariamente na Associação Anjo Azul e enviou o seu relato, contando o que a motivou a ajudar. Ela é mãe do Juliano, de três anos, e do Gabriel, de 19 anos de idade, é psicóloga, com pós graduação em Educação Especial Inclusiva, e trabalha na rede Municipal de Educação na CAE (Centro de Atendimento Especializado Monsenhor Henrique Falarz):

“Na tarde de 16 de abril, li a matéria escrita por Ediane para o Jornal A Tribuna Regional. Senti na alma o desespero daquela mãe tentando ‘digerir’ o diagnóstico recente de seu filho e a sua ansiedade em agir em prol do início do tratamento, com a urgência que somente uma mãe é capaz de ter diante da necessidade de sua criança. Nesta mesma tarde me informei com a diretora da escola do meu filho menor, que é a mesma do Gabriel, sobre a associação. Compareci à assembleia de criação da Associação Anjo Azul por três principais motivos: primeiro porque precisava levar a minha solidariedade e estender a mão àquela mãe, pois me coloquei em seu lugar e tentei imaginar tudo que ela estaria sentindo naquele momento; depois porque quero contribuir voluntariamente no que for possível junto à Associação para as crianças portadoras de TGD (transtorno global de desenvolvimento) e suas famílias; e, por último, acredito que doar-se para o outro sem esperar nada em troca é um ato de amor”.

SERVIÇO

Se você tem interesse em participar de alguma forma da Associação Lapeana de Apoio ao Autista – Anjo Azul, seja porque se sentiu sensibilizado e quer ajudar, seja porque possui alguém na família com o problema, os contatos são:

Eva Ediane Joslin: email – [email protected]; e telefone 9801-7746.

Foto: Nesta semana foi oficialmente criada a Associação Lapeana de Apoio ao Autista – Anjo Azul, em reunião na Câmara Municipal da Lapa.