Após as obras de revitalização o Parque Estadual do Monge vai sofrer grandes mudanças

Segundo o gerente do parque, em maio o Monge será reaberto para visitas religiosas. Confira uma entrevista exclusiva com Cacilde Franscisco da Silva, funcionário do IAP e responsável pelo parque atualmente.

Fechado em 2008, o Parque Estadual do Monge é um dos maiores atrativos turísticos da Lapa. No início, as obras de revitalização do parque deveriam durar, no máximo, um ano e seis meses. Em 2010 as obras foram paralisadas por conta de uma moratória do Governo Estadual. Já em outubro de 2011, responsáveis pela empresa encarregada pelas obras, a AZN Engenharia, se reuniram com o Prefeito Municipal da Lapa, Paulo Furiati, e durante a reunião ficou definido que as obras seriam entregues em fevereiro de 2012.

A promessa não foi cumprida e, no mês de março de 2012, o engenheiro responsável pelas obras no parque, Alberto Zocco, prometeu que no máximo em junho deste ano as obras seriam entregues, apesar do contrato da empresa estar estipulado até o dia 18 de maio. Em contato com o engenheiro Alberto no dia 11 de abril, ele confirmou que empresa AZN Engenharia irá entregar a obra no prazo estabelecido no contrato, ou seja dia 18 de maio. Porém, em abril, no último contato a Tribuna teve com o engenheiro sócio e responsável técnico da empresa AZN Engenharia, que reside em Curitiba mas é de família lapeana, foi informado que a obra tinha previsão de término para junho. Questionado sobre o motivo da mudança de data limite, Alberto disse que as obras tiveram uma aceleração no último mês e o contrato será cumprido.

Para saber mais informações sobre a situação das obras no Parque, a Tribuna entrou em contato com Cacilde Francisco da Silva, gerente do Parque Estadual do Monge e funcionário do IAP. Ele concedeu entrevista ao pequeno grande. Confira.

TR: Qual é a função do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), em relação às obras no parque?

Cacilde: O IAP trabalha no parque na questão ambiental junto às obras. Se a empresa responsável for cortar uma árvore, precisarão pedir autorização a nós. Como o parque é uma área de preservação ambiental, tudo que é feito no Monge precisa da autorização do IAP.

O IAP contratou uma empresa para fazer o projeto de revitalização do parque, a Eco Paraná. E a Secretaria de Estado de Transportes e Obras Públicas (SETOP) é quem fiscaliza e administra. O IAP só paga o valor contratado, mas mesmo assim acompanha as obras, cobrando da empresa, dos fiscais, mesmo não sendo essa a função do IAP. O próprio prefeito Paulo Furiati tem feito esse trabalho de cobrar o andamento da obra.

TR: Em relação às obras, o que está sendo feito hoje?

Cacilde: Hoje eu posso dizer que a grande maioria das obras está pronta. A parte estrutural do parque está pronta, o que falta na verdade é a parte de acabamento. Acredito que até o fim do contrato, no dia 18 de maio, a empresa responsável consiga, sim, entregar a obra. Lembrando que a estrada não faz parte desse contexto. As escadarias e o acesso à pedra partida estão praticamente prontos, faltam detalhes.

Eu, como gerente do parque, digo que até maio vamos abrir o parque. Talvez não com toda a estrutura que pretendemos, mas já poderemos receber mais visitantes, com mais segurança. O acesso à pedra partida, o espaço Monge e os banheiros, até maio vamos ter, e vamos abrir o parque para visitação, isso posso afirmar com toda a certeza.

TR: O Monge deixará de ser um parque de lazer?

Cacilde: O Monge tem o título de parque, porém não é um parque, é uma unidade de conservação. A partir da revitalização que está sendo feita, o objetivo é tirar de dentro do parque tudo que não pertence a uma unidade de conservação, ou seja, lanchonetes, churrasqueiras, quadra de futebol e as árvores exóticas, como o Eucalipto e os Pinos. Então, por ser uma área de unidade de conservação, tudo que existia aqui que está fora do contexto vai deixar de existir. Essa mudança é um dos objetivos da revitalização.

Já em relação ao contexto religioso, isso vai ser preservado. Futuramente, em uma segunda etapa das obras, o IAP pretende criar uma área de lazer antes da entrada do parque. Isso vai demorar um tempo, pois tudo tem os seus procedimentos, mas no futuro uma área de lazer também será criada em anexo ao parque. Agora o parque que todos os lapeanos e turistas conhecem hoje, só vai poder ser visitado com o cunho religioso ou para conhecer o parque como uma unidade de conservação.

TR: Em relação aos esportes radicais que são praticados no Monge, como o rapel e o parapente, a prática será permitida?

Cacilde: Será permitido. Não queremos proibir, mas regularizar. Os esportes que são praticados aqui hoje serão permitidos desde que se tenha a autorização junto ao IAP, e se siga todas as regras de segurança. Para a prática desses esportes radicais será preciso um profissional fazendo o acompanhamento. Hoje a orientação é que as pessoas não venham praticar essas atividades no parque, mas ainda não temos como fazer uma fiscalização de verdade, que é o que irá acontecer a partir de quando a revitalização terminar.

TR: Será permitido fazer trilhas no parque após a revitalização?

Cacilde: Hoje as pessoas fazem trilha no Monge sem nenhum monitoramento. Quando o parque for reaberto, abriremos a trilha até a pedra partida. Depois vamos trabalhar e ver a possibilidade de abrir outros caminhos de trilhas ao longo do parque, mas não como é feito hoje, quando as pessoas entram em trilhas e saem na estrada, isso não vai mais acontecer. Todos deverão entrar pelo centro receptivo, ninguém entrará em trilhas que começam la no pé do Monge, até porque haverá cercas ao longo da estrada impedindo qualquer entrada que não seja pelo centro receptivo. Como vamos monitorar uma pessoa que entrou pela porta do fundo? Todos entrarão e sairão somente pela entrada principal.

TR: E como será a nova entrada do parque do monge?

Cacilde: A nova entrada do Monge funcionará como um centro receptivo aos visitantes. Será construído um portal antes de chegar ao Cristo e, para entrar, será preciso fazer um cadastro, onde o visitante informará seu nome, endereço, placa do automóvel e qual seu município de origem, além do horário de entrada e horário de saída. Será feito um cadastro completo. Se a entrada for para a prática de esportes será preciso a autorização do IAP e todos os documentos necessários.

TR: Em relação a estrada que leva ao Monge. Hoje ela está esburacada. Quando ela será reformada ou reconstruída?

Cacilde: Para se entender a situação da estrada temos que voltar ao princípio. Quem construiu essa estrada foi o Departamento de Estradas De Rodagem (DER), então ela era uma estrada Estadual. No ano de 1994 o DER desvinculou a estrada do Estado e ela se tornou municipal, só que até pouco tempo atrás a Prefeitura não tinha esse conhecimento. Então hoje podemos dizer que a estrada está sob a responsabilidade da Prefeitura Municipal e do IAP, por ela estar dentro do Parque.

Estamos trabalhando nisso. A Prefeitura já elaborou um pré-projeto para apresentar o custo da revitalização ao IAP, pois a estrada está dentro do Parque, então é preciso autorização do Instituto para uma obra. Esse pré-projeto já está com o IAP, resta ver agora quem vai custear a obra, porque não é barato. Será preciso aproximadamente R$ 540 mil para a reforma do asfalto.

Podemos dizer que com certeza a revitalização do parque será entregue antes de serem feitas as obras na estrada, pois a reforma no asfalto, que hoje está todo esburacado, é um processo demorado.

TR: Mesmo com o parque fechado, estão acontecendo visitas ao local?

Cacilde: Oficialmente hoje o parque está fechado, porém dentro de um limite de segurança que temos estamos atendendo as pessoas que acessam ao parque durante os feriados e finais de semana e fazendo uma pequena fiscalização, dentro do possível. Só no ultimo mês de março tivemos, conforme nossa fiscalização, 838 visitantes. Em fevereiro tivemos 947 visitas, em janeiro 1176, em dezembro de 2011 tivemos 746 e em novembro do ano passado, 693 visitantes. Esses número são somente de pessoas que acessaram o parque até o local onde fica a água do Monge, pois até lá temos condição de segurança. Esses visitantes não tiveram acesso ao mirante e nem a pedra partida. A maioria dos visitantes é de fora da Lapa, 70% dessas pessoas vieram ao parque com cunho religioso, para pagar promessas ou buscar a água do monge, o restante veio para conhecer o local.

Eu acredito que a partir do momento que acabarem as obras e o parque estiver aberto iremos triplicar esse número de visitas, até porque muitas pessoas começam a subir até o parque, verificam que ele está fechado e voltam. Esse registro foi feito só com pessoas que entraram no parque, mesmo ele estando fechado. Não foram contabilizadas as pessoas que foram até o Cristo, por exemplo.

TR: Depois de revitalizado, o Parque do Monge irá gerar empregos?

Cacilde: Com certeza. Nós prevemos hoje um número de 28 funcionários para trabalhar diretamente no parque. A preferência, é claro, será por lapeanos. Mas os futuros funcionários serão escolhidos através de edital de concurso. Esse número é referente aos empregos diretos, vamos ter ainda os indiretos. Queremos trabalhar com voluntários, com pesquisadores, além de trabalhos de educação ambiental envolvendo as escolas do município.

TR: Atualmente está sendo proibida a entrada nas dependências do parque no período da noite?

Cacilde: Sim, após o horário das 17h é proibido entrar nas dependências do parque. Como uma unidade de conservação, há um horário para se frequentar o Monge, das 9h às 17h. Fora desse horário não está sendo permitida a visitação e nenhuma atividade dentro da área de conservação, que engloba o Cristo e todo o perímetro que começa ao pé do morro para chegar ao parque.

TR: Durante a Semana Santa houve grande visitação ao parque?

Cacilde: Entre os dias 5, 6 e 7 de abril, período da Páscoa, tivemos muitas visitas de romeiros ao parque. Ao todo, pelos nossos registros, foram 493 pessoas visitando o local durante esses três dias. Foi realizada a reza do terço no local onde está a água do Monge, além de uma missa aos pés do Cristo no dia 7 de abril pela manhã.

TR: Os três responsáveis pelas obras – AZN Engenharia, IAP e Prefeitura Municipal – estão em parceria para a reabertura o mais rápido possível do parque?

Cacilde: Estão sim. Tanto o IAP, como a Prefeitura Municipal estão brigando e fazendo tudo que é possível para que a empresa AZN Engenharia cumpra o contrato e entregue a obra até o dia estipulado no contrato, que é 18 de maio. A Prefeitura tem ajudado. Recentemente funcionários municipais fizeram a limpeza ao longo da estrada e todos queremos o quanto antes a abertura do parque.

Após as obras de revitalização o Parque Estadual do Monge vai sofrer grandes mudanças

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