Em atitude histórica, professores estaduais da Lapa participam de mobilização por melhores salários

Em atitude histórica, professores estaduais da Lapa participam de mobilização por melhores salários e condições de trabalho

Na quinta-feira, dia 15 de março, as escolas da rede pública estadual do Paraná pararam. Na data, os trabalhadores em educação participaram da mobilização que ocorreu em todo o país, convocada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), em defesa da correta aplicação da Lei do Piso, do investimento de 10% do Produto Interno Bruto na educação e na luta por melhorias na carreira dos educadores.

Nacionalmente, a greve durou três dias: 14, 15 e 16 de março. No Paraná, a categoria decidiu paralisar as atividades apenas no dia 15. No dia 14, aconteceram debates nas escolas sobre hora-atividade, saúde e condições de trabalho. No dia 15, além da paralisação em todo o Estado, houve ainda, em Curitiba, concentração dos educadores na Praça Santos Andrade, com caminhada até o Palácio Iguaçu. No dia 16, os educadores fizeram, em suas próprias escolas, debates e avaliações da mobilização.

NA LAPA

Na manhã de quinta-feira, dia 15 de março, os professores da rede estadual de ensino, na Lapa, aderiram ao protesto da classe por melhores salários e condições de trabalho. A atitude é inédita no município e pode ser considerada, portanto, histórica. Cerca de 300 professores participaram da mobilização, somente não tendo a adesão de docentes dos Colégios Agrícola e CEEBJA Paulo Leminski.

A passeata iniciou às 10h em frente à Rodoviária da Lapa, seguindo pela Avenida Dr. Manoel Pedro e Rua Barão do Rio Branco. A professora Giovana Tisian Serena Hornung, membro da Diretoria Regional da APP Sindicato da Área Metropolitana Sul, expôs as reivindicações propostas com a passeada: aplicação integral da Lei do Piso Integral do Magistério, aprovado pelo Supremo Tribunal Federal, onde consta que o salário inicial não deve ser menor do que R$ 1.451,00, com hora atividade de 33%; melhoria do sistema de saúde estadual, pois o atual está precário, sendo necessário deslocar-se até o Hospital Militar, em Curitiba, onde já existe o acúmulo de atendimento dos policiais, professores e funcionários estaduais; Plano de Carreira dos funcionários, solicitação que vem tramitando sem definição exata.

Segundo a professora Giovana este é um momento de ação, pois “se ensinamos os nossos alunos que, para a história acontecer, precisamos nos tornar sujeitos dela, nada melhor do que fazermos parte de um movimento como esse”.

A paralisação mobilizou a população com a entrega de panfletos, jornais e adesivos sobre o movimento. Os participantes empunhavam cartazes e realizavam “apitaço” como forma de chamar a atenção para a causa.

“Espero que com a paralisação o Estado olhe para a educação do Paraná e nossos pedidos sejam atendidos”, finaliza Giovana.

Na sexta-feira, dia 16 de março, os professores na Lapa voltaram ao trabalho normalmente, apesar da greve acontecer em todo o Estado por três dias.

REIVINDICAÇÕES

Este ano, os educadores da rede pública estadual de ensino já fizeram uma grande mobilização, no dia 9 de fevereiro, quando mais de 90% da rede aderiu à paralisação parcial e discutiu a pauta de reivindicações da categoria. Veja, abaixo, os itens defendidos pelos educadores do Paraná:

– A implantação de um terço da hora-atividade, como determinado pela Lei do Piso – Desde 1996, a APP encabeça a luta por este direito. Em 2001, após uma greve no ano anterior, foi conquistado o percentual de 10% de hora-atividade, ampliado para 20% em 2003. Em 2008, os educadores de todo o país conquistaram a Lei Nacional do Piso (Lei nº 11.738). Agora, a luta é para implantar este direito no Estado.

– Implantação do reajuste do Piso Nacional de 22,22 % na tabela de vencimentos dos professores do Paraná – Em 2011, alcançamos o valor do PSPN no Paraná. Mas a legislação nacional estabelece um reajuste anual do piso, que, para este ano, foi de 22,22 %. E este é o percentual que a categoria reivindica.

– Adequações na carreira dos funcionários da Educação – A APP participa da comissão que está revendo os planos de carreira dos funcionários e professores. Entre as questões debatidas, está a inclusão da graduação na tabela salarial do agente educacional I e da pós-graduação no de agente educacional II.

– A criação de um novo serviço de atendimento à saúde dos servidores estaduais – O atendimento atual é muito precário. Trabalhadores querem garantir um novo sistema. Entre as exigências que o novo modelo deverá garantir estão a ampliação do atendimento em todos os municípios e a garantia de atendimento à saúde com assistência médica, hospitalar e laboratorial às várias especialidades.

– Luta nacional pela destinação de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) para a educação pública – Um cuidadoso diagnóstico da situação da educação brasileira durante a Conferência Nacional de Educação (Conae) indicou metas concretas para a real universalização do direito de todos à educação com qualidade, o que requer investimento público da ordem de 10% do PIB nacional.