Que tal pensar por si?

Sigmar Sabin

Você se conhece a si mesmo?

Tenho dúvidas se sim.

Quero trazer você para uma realidade fora do quadrado.

Como pensador fora do quadrado, estreio não com um texto próprio, mas com a contribuição de um pensador fora do quadrado chamado Huberto Rohden que fala sobre Sócrates: “Conhece-te a ti próprio e serás imortal”

Alguns séculos antes de Cristo, vivia em Atenas o grande filósofo Sócrates. A sua filosofia não era uma teoria especulativa, mas a própria vida que ele vivia. Aos setenta e tantos anos foi Sócrates condenado à morte, embora inocente.

Enquanto aguardava no cárcere o dia da execução, seus amigos e discípulos moviam céus e terra para o preservar da morte.

O filósofo, porém, não moveu um dedo para esse fim; com perfeita tranquilidade e paz de espírito aguardou o dia em que ia beber o veneno mortífero.

Na véspera da execução, conseguiram seus amigos subornar o carcereiro (desde daquela época já existia essa prática…), que abriu a porta da prisão.

Críton, o mais ardente dos discípulos de Sócrates, entrou na cadeia e disse ao mestre:

– Foge depressa, Sócrates!

– Fugir, por quê? – perguntou o preso.

– Ora, não sabes que amanhã vão matar-te?

– Matar-me? A mim? Ninguém me pode matar!

– Sim, amanhã terás de beber a taça de cicuta mortal – insistiu Críton. – Vamos, mestre, foge depressa para escapares à morte!

– Meu caro amigo Críton – respondeu o condenado – que mau filósofo és tu! Pensar que um pouco de veneno possa dar cabo de mim…

Depois puxando com os dedos a pele da mão, Sócrates perguntou:

– Críton, achas que isto aqui é Sócrates?

E, batendo com o punho no osso do crânio, acrescentou:

– Achas que isto aqui é Sócrates? Pois é isto que eles vão matar, este invólucro material; mas não a mim. Eu sou a minha alma. Ninguém pode matar Sócrates!

E ficou sentado na cadeia aberta, enquanto Críton se retirava, chorando, sem compreender o que ele considerava teimosia ou estranho idealismo do mestre.

No dia seguinte, quando o sentenciado já bebera o veneno mortal e seu corpo ia perdendo aos poucos a sensibilidade, Críton perguntou-lhe, entre soluços:

– Sócrates, onde queres que te enterremos?

Ao que o filósofo, semi consciente, murmurou:

– Já te disse, amigo, ninguém pode enterrar Sócrates… Quanto a esse invólucro, enterrai-o onde quiserdes. Não sou eu… Eu sou minha alma…

E assim expirou esse homem, que tinha descoberto o segredo da felicidade, que nem a morte lhe pôde roubar.

Conhecia-se a si mesmo, o seu verdadeiro Eu Divino. Eterno. “Imortal”.

Como ele, aprendi a pensar fora do quadrado.

E você, vai pensar como?

-o-o-

“Se eu conseguir fazer você pensar igual a mim, eu e você teremos perdido nosso tempo. Se eu conseguir fazer você pensar por si, nós dois aprendemos e ganhamos a vida”. (Professor Sigmar Sabin)