Para onde irão os traficantes e usuários de drogas que estão sendo desalojados das grandes cidades?
Há vinte e dois anos se criou o ECA – Estatuto da Criança e do Adolescente. Obra jurídica importante para regulamentar o manejo de crianças e adolescentes em conflitos familiares e em situações de risco. Vulnerabilidade social. Até hoje não sabemos o que fazer com as crianças e os adolescentes após a intervenção do Conselho Tutelar ou do Fórum da Infância e da Juventude. Muitas vezes, de forma necessária, por uma situação de risco, separa-se a criança ou o adolescente de seus progenitores e depois não sabemos para onde conduzi-los. FEBEM? Fundação Casa? CIP – Centro de Internação Provisória?
Pois bem, agora começamos o mesmo processo com os dependentes químicos a partir dos grandes centros como São Paulo e Rio de Janeiro. Sem estruturas públicas capazes de acolher e tratar a dependência química o governo começa a fazer uma limpeza urbana nas grandes cidades, empurrando este contingente de pessoas para algum lugar que não se sabe onde. O importante é “limpar” as áreas centrais destas cidades, tirando dali os indesejáveis.
São os efeitos de uma crise anunciada. Sem tratamento adequado a tendência natural é o dependente químico continuar a usar drogas em outro lugar. É como varrer a casa e jogar a sujeira para baixo do tapete. Não resolve o problema.
O governo não tem uma política definida para tratar dependência química. Os planos de saúde particulares não cobrem tratamento para esta doença. O SUS não tem protocolos para atendimento desta doença. Uma população que produz algo em torno de 80% das violências sociais no Brasil. Roubos, assaltos e assassinatos.
Logo esta maneira de lidar com os dependentes químicos estará sendo imitada em Porto Alegre, em Recife e em Curitiba. E para onde irão estas pessoas? Muito provavelmente para as cidades satélites destas grandes metrópoles. Como todo cinturão de pobreza se cria, assim também se criarão os “cinturões da droga”.
Precisamos de uma legislação pertinente. Se o dependente químico cometer alguma infração por causa do uso de drogas ele deve ser conduzido para um tratamento psiquiátrico, medicamentoso e em grupos de mutua ajuda como Alcoólicos Anônimos ou Narcóticos Anônimos por longos períodos de tempo. Obrigados por lei a participar de algum tipo de programa. Precisamos das leis, precisamos dos programas e precisamos dos atendimentos para esta população específica.
Nos postos de saúde já temos reuniões para obesos, para diabéticos e para hipertensos, porque não criar reuniões para dependentes químicos também?

