O enigma da Matriz – Quarto capítulo

Os três ficaram em completo silêncio esperando qualquer movimento da porta, mas por eternos vinte segundos nada aconteceu, o lugar mergulhou na quietude novamente e apenas o delegado tomou a iniciativa de seguir em direção à sala de confissões.

Com pouco esforço girou a enorme chave (se comparada a chaves comuns) e empurrou a porta para dentro lentamente, até a abrir por completo. Colocou a cabeça para dentro e olhou para a esquerda, mas não viu nada. Porém ao olhar para a direita, no pequeno altar, viu uma imagem religiosa caída ao chão; era a imagem que ficava dentro de um vidro, mas mesmo estando caído, o vidro permanecia inteiro.

O delegado chamou os dois homens e espantados viram a cena, padre Bernardo disse aos colegas em tom baixo:

– Desde que esses crimes começaram, coisas estranhas estão acontecendo na Igreja, já vi água embaixo de santos e uma estranha senhora com véu que ao me ver fugiu da Igreja… – Ele baixou ainda mais a voz – Coisas sobrenaturais estão acontecendo…

O suspeito e a arma que matara padre Wilson não foram achados e ninguém conseguiu dormir naquela noite, havia um clima estranho sobre a cidade. Naquela mesma madrugada, quase ao amanhecer outro homem foi morto e seu corpo, pela manhã, foi encontrado na frente da Igreja Matriz de Santo Antônio, novamente tinha marcas nas mãos e estava sem os olhos.

Dessa vez, junto ao cadáver foi deixado um bilhete escrito com letra rápida quase impossível de identificar. O bilhete salpicado de sangue dizia:

“A igreja é proibida aos pecadores, aqueles que não possuem virtudes celestiais devem ser banidos para o fogo do inferno.”

De certa forma a mensagem era parecida com a da parede e o detetive concluiu que o assassino queria eliminar todos que fossem da “Elite Religiosa” e eram pecadores. Parecia que além de descobrir quem era o criminoso, teria que descobrir também o motivo que gerara a fúria dele.

O AUTOR

O jovem leitor da Tribuna Regional, Eduardo Luiz, de 16 anos de idade, entrou em contato com a redação e contou sobre sua paixão pela leitura e escrita. Segundo ele, está trabalhando em textos para escrever um livro de fantasia e ficção. Sua paixão pela leitura começou desde pequeno, incentivado por sua família, especialmente por sua irmã. Aos 10 anos de idade, Eduardo escreveu sua primeira história, uma adaptação de “Os três porquinhos”.

“Eu me inspiro em outros autores e na capacidade que eles têm para criar contos que nos seguram do começo ao fim. Eu transformo qualquer lugar que imagino em um palco para histórias fantásticas, também me inspiro em meus amigos pra criar os personagens”, explica Luiz.

O jovem leitor e escritor enviou à Tribuna alguns dos capítulos que já escreveu de seu futuro livro. Com autorização de Eduardo, trazemos a você, leitor, “O enigma da Matriz”, uma história ambientada na Lapa.