No dia 26 de dezembro, dia de São Benedito, a Lapa teve uma missa histórica. Na casa de São Benedito, maior Santuário dedicado ao Santo na América Latina, ouviu-se o rufar dos tambores tribais, as palavras africanas por tantos séculos proibidas. A cultura negra finalmente teve voz!
As palavras fortes que foram ouvidas durante a missa ainda devem ecoar por muitas mentes… Palavras que falavam em cor de pele, em omissão, em correntes, em lágrimas e sangue. Muitos cristãos ali se perguntaram: estou realmente seguindo a Jesus? Será que O segui quando tive preconceito, quando repudiei alguém pela cor de sua pele, por sua cultura?
Mal as palavras eram refletidas e fatos eram teatralizados, a capoeira entrava jogando pela nave, os cantos africanos ecoavam, os padres de batinas com detalhes tribais. Uma presença ilustre se destacou, o representante da Consciência Negra no Paraná, o Candiero, que puxava o batuque. Candiero fez o povo dançar e cantar no estilo afro e questiona a todos: “vocês sabem o que significa Saravá? Saravá é uma simples saudação… Quer dizer bom dia, boa tarde, como vai, olá! Vamos saudar São Benedito com esta palavra que nada mais é do que uma saudação?” Ouviu-se então os presentes dizerem “Salve Nossa Senhora do Rosário, Saravá São Benedito”. Uma simples reverência, e um sinal de respeito de todos os presentes pela cultura afro, convivendo como irmãos, como seguidores de Jesus Cristo.
Outro destaque foram as palavras do Padre Emerson, que entre muitas coisas, pediu perdão aos negros pelo passado, e convocava todos a uma convivência pacífica e respeitosa, digna realmente de cristãos.
No momento que eram citados muitos dos mártires da igreja e do mundo, entra também a figura de Santa Bárbara, chamada pelos afro descendentes de Yansã. Santa Bárbara, que diz aos presentes que, como ela, devem ser fiéis a Cristo até o fim e que isto significa viver como cristãos.
Por fim, entra o grupo de jovens, vestidos também a caráter e carregados de alimentos típicos, muitos estão em nossas mesas no dia a dia, não só alimentos, mas palavras e costumes. “Como uma das organizadoras da Consciência Negra na Lapa, vejo que a igreja católica fez sua parte com louvor”, afirma Nádia Burda. E você, já fez a sua parte?

