Um momento de conscientização e reflexão sobre a cultura negra e as lutas que marcaram a história do povo africano. Foi com este objetivo que o Centro Estadual de Educação Básica para Jovens e Adultos (CEEBJA) “Paulo Leminski” promoveu uma série de atividades, em comemoração ao Dia Nacional da Consciência Negra, comemorado em 20 de novembro.
A data foi criada em 9 de janeiro de 2003, pelo projeto de lei número 10.639, em homenagem ao líder Zumbi, do Quilombo dos Palmares, morto em combate nesta data, em 1695, enquanto defendia a liberdade do seu povo nos tempos do Brasil Colonial. O Dia da Consciência Negra representa a memória da luta contra a escravidão e a importância da cultura africana na formação da cultura do Brasil.
A lei também tornou obrigatório o ensino sobre história e cultura afro-brasileira, contribuindo para o resgate das contribuições dos negros na trajetória do Brasil. Desse modo, comemorar a data no calendário escolar vai ao encontro das preocupações com uma educação voltada à cidadania.
De acordo com a vice-diretora do CEEBJA “Paulo Leminski” e coordenadora da equipe multidisciplinar, professora Eliana Gurski Silva, a data é um momento de valorizar a história e personagens que deram uma importante contribuição ao país. “Refletir acerca da cultura afro-brasileira nas escolas, é uma forma de discutir as situações de discriminação e de desigualdade dos negros, presentes ainda hoje em nossa sociedade”, observa.
Vale ressaltar que as atividades realizadas na escola foram frutos de um trabalho desenvolvido no decorrer do ano, no entendimento de que a sociedade brasileira é pluriétnica e pluricultural e que alunos, professores e funcionários do CEEBJA Paulo Leminski são, antes de tudo, sujeitos sociais pertencentes a diferentes grupos étnico-raciais, sujeitos com histórias de vida, representações, experiências, identidades, crenças, valores e costumes próprios, compondo o contexto da diversidade e possuidores de uma realidade marcada por posturas subjetivas e objetivas de preconceito, racismo e discriminação aos afrodescendentes.
A professora Luciane H. Lourenço enfatiza que as atividades desenvolvidas demonstram o amadurecimento dos professores do CEEBJA nas atividades de ensino e pesquisa, tendo como primeiro intuito formular uma perspectiva pedagógica que aponte alternativas de intervenção, de modo a subverter a lógica do racismo e de práticas, por vezes, excludente e preconceituosa.
O estudo da história e cultura afro-brasileira, que permeou todo o ano letivo possibilitou direcionar os rumos pedagógicos dos professores, propiciando a interdisciplinaridade e a culminância nos eventos que contaram com atividades culturais significativas de dramatizações, músicas, palestras e artes plásticas.
Da decoração da escola (cartazes, máscaras africanas, gráficos…) às diversas apresentações, houve o olhar dos professores e alunos à valorização da cultura afro-brasileira. Foram realizadas diversas atividades dentre as quais pode ser citado o trabalho da professora Eliana Gurski, que com sua turma de coletivo da disciplina de História realizou atividades diversas de pesquisa, contemplando a história da África, sua localização geográfica, países que a compõe, aspectos culturais e religiosos, culminando com palestras, sendo a primeira sobre as religiões de matriz africana, com enfoque a umbanda, proferida pela professora Rosemery Ap. Ritter e a segunda proferida pela professora Vera Ribas, acerca da Congada da Lapa, uma importante manifestação histórica e cultural do município, que por meio de cantos e danças misturam reminiscências do passado africano, apresentando uma metáfora sobre a realidade social.
Emoção e sensibilidade estiveram presentes em 22 de novembro, com a representação de uma cena de sofrimento dos escravos, manifestada na dança das alunas da professora Isabel Pellegrini. Nesta mesma noite, alunos da disciplina de Arte da professora Maria Elena Ramalho discorreram sobre a música brasileira e sua influência africana nos instrumentos e gêneros musicais.
Em meio a alegria, reflexões e conscientização, o encerramento das atividades foi marcado por uma dramatização que abordou a influência africana na culinária brasileira e a apresentação de vídeos sobre Zumbi dos Palmares e demais manifestações culturais afro-brasileiras como a Capoeira.
Somente o conhecimento da história da África e do negro poderá contribuir para se desfazer os preconceitos e estereótipos ligados ao segmento afro-brasileiro, além de contribuir para o resgate da autoestima de milhares de crianças, jovens e adultos, que por mais de quatro séculos foram marginalizados por uma escola que negou a pluralidade étnico-cultural de nossa formação. Os estudos da equipe multidisciplinar dos professores do CEEBJA “Paulo Leminski” e os eventos de valorização da história e cultura dos afro-brasileiros por certo vêm a contribuir para a construção de uma escola plural e cidadã, formadora de cidadãos brasileiros cônscios de seu papel como sujeitos históricos.

