DROGAS – Adolescentes x Estado de direito

Aqui no Cerene recebemos adolescentes encaminhados pelo Estado. São adolescentes sem estrutura familiar mínima e que se encontram em abandono completo pelas ruas. Chegam para nós sem educação, sem escolaridade, sem cultura, sem roupas, sem calçados, sem material de higiene, sem cobertas, sem dignidade, sem passado e sem futuro. O Cerene tem que providenciar tudo para eles. Crianças de doze a dezessete anos que aprenderam uma única visão de mundo: a visão da violência e dos maus tratos. Reagem conforme a escola de vida que freqüentaram.

Trabalhar com estes meninos é muitas vezes desesperador e frustrante. Suas mentalidades ainda em formação não conseguem entender os fatos elementares da vida. Respeitar regras para viver em sociedade não faz parte do seu entendimento. Foram entregues a um mundo desafiador sem ter as mínimas condições de sobrevivência.

Quando são trazidos até nós eles já não são mais aceitos em suas comunidades de origem. Criaram muitos problemas. O Conselho Tutelar ou a Secretaria de Cidadania e Família são acionados pelo Ministério Público e recebem um “cumpra-se” de setenta e duas horas para achar um lugar e instalar estas crianças. Muitos estão na marginalidade, mas, não são marginais, outros nem isso. Encaminhar para as “febens” é promover a desgraça total na vida destes adolescentes. Então, em uma correria desenfreada, estes órgãos públicos tentam, de todas as maneiras, achar algum lugar que possa acolher estes menores e lhes dê um mínimo de dignidade e respeito.

O Ministério Público se livra deles com um “canetaço”. Os conselhos e secretarias se livram deles com uma “carona” até um Cerene da vida. As ruas agora estão livres deles, já não os vemos a nossa porta pedindo esmolas ou tentando roubar alguma coisa para sobreviver. Mas e depois ?

Passam seis meses aqui conosco e respiram novos ares. Respeito, dignidade, trabalho, estudo, aumento da auto-estima e valorização. São valores que lhes são passados e estimulados. Tentamos acionar o Conselho Tutelar da cidade de origem, mas, o que normalmente recebemos é um grande silêncio. Parece que ninguém se importa no que será depois que ele sair daqui. Nós procuramos fazer o possível para dar-lhe alguma coisa em que se agarrar.

Tentamos contato com possíveis familiares e com estas pessoas que ficaram responsáveis (ou irresponsáveis). A impressão que temos é que todos só querem se livrar deles, pelo menos por um tempo.Solução? Eu não tenho. Mas gostaria que todos pensássemos juntos sobre isto e trabalhássemos juntos para achar um caminho melhor.

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(Centro de Recuperação Nova Esperança!)

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