Você, leitor, acredita que Lapa ainda é uma cidade pacata?
Os acontecimentos das últimas semanas insistem em afirmar que não. Nos últimos dias diversas casas foram assaltadas e arrombadas. Especialmente, na semana que se finda, residências na região da Vila Magalhães e Vila Santa Zélia. No entanto, as ações estão acontecendo em várias regiões.
Somente nos dois bairros citados, pelo menos seis casas já foram alvo dos marginais, que arrombam portas e janelas, levando objetos de valor para trocar por drogas.
Segundo informações de moradores, que passaram a ficar mais atentos à circulação das pessoas na redondeza, os marginais, em grande parte, são menores de idade. Há os que têm idade acima de 18 anos, mas são poucos e ainda jovens. A justificativa para tais ações: o vício do crack.
Assaltos em plena luz do dia e ameaças a quem demonstra intenção de reação, esta é a realidade para várias pessoas dos bairros e do centro. De um lado, viciados em drogas. De outro, adolescentes que estão sem limites e sem ocupação, agindo em bando e criando coragem para a violência contra os cidadãos que tentam se impor à baderna.
Jovens vêm se reunindo no calçadão do centro histórico, atrás da Casa dos Cavalinhos, para ingerir bebidas alcoólicas, usar demais drogas, realizar atos de vandalismo e até mesmo libidinosos. Em plena luz do dia, é bom reforçar.
Segundo a atriz e diretora do Theatro São João, Nádia Burda – que teve a sua casa assaltada na última semana e que presenciou a arruaça dos adolescentes no Centro – a polícia, quando foi chamada, não demorou a chegar, mas o Conselho Tutelar não compareceu ao local para atender os menores que estavam causando problemas no local.
Alguns destes adolescentes estão nas ruas do município destruindo o patrimônio alheio e agindo em desacordo com a lei, uniformizados, em horário escolar. A leitora Nádia, que presenciou os fatos, foi se informar para saber o motivo de estarem fora da escola e descobriu que professores haviam faltado e, por isso, os alunos haviam sido liberados para irem para casa.
RESPONSABILIDADE
De quem é a responsabilidade sobre o aumento da violência no município?
De um lado as Polícias, Militar e Civil, com pouco efetivo (a Patrulha Escolar, por exemplo, conta somente com dois policiais para toda a região da Companhia – de nove municípios). De outro, a família que precisa estar mais atenta à sua responsabilidade na criação dos filhos (você sabe onde e com quem o seu filho está?).
Ainda, a atuação do Conselho Tutelar, que está sofrendo críticas sobre a situação relacionada às crianças e adolescentes envolvidos. As escolas que, antes de liberarem os alunos frente à ausência dos professores, devem atentar para a sua responsabilidade pelos adolescentes no período. Os governantes, que deveriam atentar para projetos de arte, lazer e educação, buscando prevenir a entrada das crianças e adolescentes no mundo do crime.
E, por fim, a sociedade como um todo, que acredita sempre que o marginal é o filho do vizinho e nunca será o jovem que está para dentro do seu portão.

