Saúde mental (ainda) em decadência

A história nos revela os procedimentos bárbaros realizados antigamente em pacientes que sofriam de problemas mentais, como a trepanação (abria- se um orifício na cabeça para retirar o que se julgava a causa do problema e não se conhecia anestésicos), possessão, entre outros.

Após, se apresentou verdadeiro depósito de gente, jogados em hospitais psiquiátricos, com tratamento de choque, cubículos e lençóis de contenção, pacientes agredidos por funcionários após se encontrarem na camisa de força, e nada se fazia diante desse ato covarde, dosagens elevadíssimas de medicamentos sem controle, abandono da família. Ainda hoje, a sociedade faz com que os doentes mentais paguem um alto preço pelas suas aflições. Suas estranhas condutas provocam a cruel hostilidade da ignorância.

Desde o acordado, mas, não com os familiares do paciente que requer cuidados especiais, o atendimento a essas pessoas se faz hoje responsabilidade da própria família, com ou sem nenhum treinamento para lidar com a situação. Esta é queixa de uma mãe que sofre diante do surto do quadro agressivo do seu filho, onde se reportou a saúde e foi informada pelos profissionais de que não competem a eles “segurar” e transportar esse paciente no estado que se encontra, que ocasionaria prejuízos na ambulância e poderiam sofrer agressões físicas. Erroneamente, direcionam a responsabilidade para a polícia.

No tratamento desse paciente deveria haver acompanhamento da equipe de profissionais da saúde para evitar complicações futuras. Se o doente apresenta alterações de comportamento é porque houve falha no atendimento a ele e à família. Profissionais se desdobram, mas se torna impossível diante da falta dos recursos, parece que não existe um padrão de tratamento na psiquiatria do serviço público no país. Falta ordem e organização e isso tem feito muitos sofrerem. Penso que deveria existir uma equipe multidisciplinar a disposição, pronta para enfrentar tais situações.

Há profissionais que apresentam excelentes projetos, mas sem apoio para implantá-los. São perdidos pela falta de reconhecimento e valorização. Quando me refiro à decadência da saúde mental, é pelo fato da falta de comprometimento e envolvimento dos nossos governantes para com estes. A história sempre mostrou loucos cuidando de loucos – assim se definia o flagelo dos procedimentos que o paciente era imposto e que encurtava sua vida. De lá para cá, o que realmente mudou? Apesar do progresso e todo conhecimento hoje disponível, continuamos andando em círculos, acreditando que se tem uma postura correta no tratamento dos pacientes que sofrem distúrbios psicológicos e dos seus familiares que precisam de nossa ajuda.

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