“As conseqüências com o fechamento do hospital geral no São Sebastião são as mais trágicas possíveis

Clube de Imprensa entrevista Dr. Manoel Vidal para buscar informações técnicas acerca das declarações do Governo do Estado.

Na noite do dia 5 de setembro o Clube de Imprensa se reuniu na redação da Tribuna Regional para entrevistar o Médico Pediatra Dr. Manoel Vidal, que respondeu aos questionamentos da mídia lapeana a respeito das declarações do Governo do Estado quanto ao São Sebastião.

“As conseqüências com o fechamento do hospital geral no São Sebastião são as mais trágicas possíveis

Os meios de comunicação que fazem parte do Clube de Imprensa são: Rádios Legendária AM, Dimensão FM, Lapeana FM, jornais A Tribuna Regional e Avéde, Portais Click Agitos, Portal Lapa, TV Lapa e as agências Invox, Opus 8 e Comunicarte.

Dr. Manoel Vidal, como já citado, é médico pediatra e tem conhecimento técnico e experiência na gestão do Hospital Regional da Lapa São Sebastião, já tendo sido diretor da instituição. Atualmente é o responsável pela gestão da Maternidade Municipal Humberto Carrano.

A Agência Estadual de Notícias divulgou que o Secretário Estadual de Saúde, Michele Caputo Neto, afirmou que “o governo anterior construiu um centro cirúrgico e o inaugurou sem que tivesse condições de funcionamento, além de prometer atendimento à população que está fora de seu foco de atuação”. Caputo Neto também afirmou que “o hospital da Lapa é referência estadual para tisiologia (tratamento de tuberculose) e não se caracteriza como hospital geral.” O Governo do Estado também alega que há deficiência na rede elétrica e de esgoto no Hospital, assim como não haveria projeto de prevenção de incêndios.

DR. MANOEL

Dr. Manoel foi questionado sobre a estrutura do São Sebastião, se o que existe atualmente é o adequado para o atendimento na clínica médica, pediátrica, emergência e centro cirúrgico. Para o médico, entre a sua passagem como diretor do Hospital e hoje, a instituição melhorou muito na parte material. Quando saiu da direção, a clínica médica possuía 40 leitos, decorrentes da união do Hospital Hipólito com o São Sebastião. Sobre a parte elétrica, ele contou que “já foram feitas revisão e estudos com engenheiros elétricos da Secretaria de Saúde, há tempos. Foi feito projeto, com licitações, para melhorar a energia, com instalações muito boas”. “Eu não vejo hoje um problema tão grave quanto à eletricidade”, completa ele.

“A parte elétrica tem condições de ser utilizada, sem muitos gastos para adequação, para fazer funcionar o hospital geral”, afirma.

Quanto a rede de esgoto, Dr. Manoel afirmou que existia o problema já na direção dos que o antecederam. Segundo ele, chegou a ser feito projeto de adequação, e que os problemas são fáceis de ser resolvidos. “Estes não são os maiores problemas do São Sebastião hoje”, afirma. “Se o hospital for funcionar para atender somente tisiologia, precisará de reformas também”, diz ele.

Sobre a falta de anestesista, Dr. Manoel afirmou que este não é o ponto primordial e que trata-se de um problema de fácil solução.

“Não vejo nenhum empecilho de que se continue o hospital e se faça as adequações, com o atendimento em andamento”, reforçou.

PRINCIPAL PROBLEMA

“O ponto principal do problema é a perda de um hospital com características de um hospital geral, para que ele só dê vazão para uma super especialidade dentro da tuberculose. É importante que se tenha um hospital atendendo tisiologia na cidade, mas podemos também ter o São Sebastião atendendo pediatria, clinica médica e clinica cirúrgica. A população tem que lutar por isso, precisamos de um hospital geral”, diz Dr. Manoel.

HOSPITAL GERAL

Dr. Manoel foi questionado se, em algum momento, a Lapa teve um hospital geral no São Sebastião: “Começamos um projeto de hospital geral. Araucária e Campo largo ainda não tinham um hospital regional. Perdemos tempo e perdemos a condição de ter um hospital regional, mas não perdemos a condição de um hospital do estado geral para nosso município e cidades vizinhas como Contenda, Campo do Tenente, Antonio Olinto”.

CENTRO CIRÚRGICO

“A idéia do centro cirúrgico foi boa, mas não era preciso um centro cirúrgico de R$ 2 milhões, e sim um de 500 mil reais. Para um centro cirúrgico desse tamanho funcionar será preciso a contratação de mais equipes cirúrgicas”, afirma. Mas, segundo ele, é possível fazer readequação, para que se utilize o centro cirúrgico existente.

PIOR COISA QUE PODE ACONTECER

Dr. Manoel foi questionado sobre a pior coisa que pode acontecer:

“É a perda do São Sebastião como um hospital geral. Não estou falando como hospital regional. Se o São Sebastião não for um hospital geral a população vai ter problemas graves. Nós seremos pedintes de vagas a outros municípios para que nossos doentes possam se tratar. Não podemos deixar que isso aconteça”.

ATENDIMENTO

Sobre os atendimentos possíveis no São Sebastião como Hospital Geral, Dr. Manoel citou que casos de média complexidade poderiam ser atendidos. Assim, se daria tempo de estabilizar o quadro do paciente até realizar o encaminhamento para um local de alta complexidade.

“

É possível prestar os primeiros atendimentos de um paciente infartado aqui no São Sebastião. Se o hospital deixar de se tornar geral e só atender a tisiologia, vamos perder minutos preciosos levando nossos pacientes para municípios vizinhos”.

Veja nesta edição o que o Hospital já fez em relação a isso na matéria sobre o encaminhamento de paciente para Campo Largo com helicóptero.

A POPULAÇÃO

Dr. Manoel também foi questionado sobre o que a população pode fazer para reivindicar a continuidade no atendimento no São Sebastião. “A população tem voz e voto. Agora é a hora de se fazer ouvir a sua voz, através da mobilização popular”, diz ele. Também é possível mobilização através do Conselho Municipal de Saúde. “Esse é o órgão eminente de apoio a população. O ‘caso maternidade’ foi um pré-teste de tudo isso.

A maternidade esteve mais perto de fechar do que o hospital geral São Sebastião e, através de manifestações da população, com a ajuda do conselho, não fechou”.