Perder as Estribeiras, jamais!

Quiçá o mundo, em suas mazelas do cotidiano (ameaças de conflito pra lá, bandidagem desafiando os poderes pra cá, descontentamentos, greves, impunidades, etc….), esteja a fornecer o combustível onde se consome a paciência do cidadão comum e até daqueles não tão mesclados à plebe. Há destemperos para todos os gostos e em todo o lugar. Os jornais estampam. A gente quase não acredita. Gostei de um fato, não faz tempo acontecido, quando em reunião séria de Chefes de Estado, o rei da Espanha, esqueceu do protocolo e não levou em conta as demais figuras ilustres ali presentes, quando, abominando a palração de um dos partícipes, não titubeou: mandou que se calasse. Embora sem maiores consequências, a atitude de Sua Majestade – até certo ponto desculpável pela chatice do discursador – além de hilária, não deixou de ser uma tremenda perda de estribeiras. Afora isso, o famoso “por que no te callas” correu o mundo e divertiu a todos.

Vamos deixar o rei em paz e voltar a considerações sobre o disparatado em que se constitui a perca de estribeiras. Perdê-las, é sempre desaconselhável. Num bate-boca, quase sempre origem de desequilíbrios, a coisa pode ir de nominhos feios, sem maiores efeitos, a um sem fim de impropérios, ignominias e, até ao desforço físico, sabe Deus, com que lastimáveis resultados. Embora almejemos longe, bem longe de nós, o descomedimento, não é segredo para ninguém: essas coisas, sempre intempestivas, acontecem, aqui, acolá, e como se diz, até nas melhores famílias. E, quando, infelizmente, sucedem, é interessante: persiste, ainda que momentânea, ao contendor pretensamente vitorioso, uma sensação de alívio e de calmaria. Depois, ânimos serenados – ocasião adrede para se colocar as coisas nos devidos lugares – se percebe o quanto valem as estribeiras e quão mais importante e significativo é o cuidado das mesmas para jamais Perdê-las.